Porto Alegre: peça com Marco Nanini é interrompida e termina em protestos, após retirada de intérpretes de Libras
Espetáculo foi retomado sem acessibilidade para o público surdo; produção assumiu responsabilidade pela falha
Rio Grande Record|Do R7
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Uma apresentação da peça Fim de Partida, estrelada pelo ator Marco Nanini, terminou em protestos e vaias em Porto Alegre depois que intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) foram retiradas do palco. O espetáculo foi interrompido após o ator reclamar que a iluminação utilizada para a interpretação projetava sombras que atrapalhavam sua atuação. A apresentação foi retomada sem o recurso de acessibilidade, impedindo que espectadores surdos acompanhassem o restante da peça.
A professora de teatro, Izabel Cristiana da Silveira, estava na plateia e conta que a interrupção aconteceu poucos minutos depois do início do espetáculo. Segundo ela, o público inicialmente não compreendeu o que estava acontecendo. "Até achamos que fazia parte da montagem", relatou Izabel, ao descrever a reação dos espectadores à reclamação do ator.
As cortinas foram fechadas por aproximadamente 20 minutos para uma tentativa de solucionar o problema técnico. Durante a interrupção, as intérpretes conversaram com os espectadores surdos e informaram que não haveria mais interpretação em Libras.
A decisão provocou indignação. Parte do público protestou e deixou a sala de espetáculos em solidariedade às pessoas que não poderiam mais acompanhar a apresentação.
Público surdo deixa teatro sem conseguir assistir à peça
Izabel conta que alguns espectadores foram até o foyer do Teatro Simões Lopes Neto para entender o que havia acontecido. Entre as pessoas prejudicadas estava um espectador que havia viajado de Santa Maria especialmente para assistir à apresentação.
Apesar dos protestos, o espetáculo foi retomado e seguiu até o final. Segundo a professora, a maior parte da plateia permaneceu no teatro, enquanto os espectadores surdos ficaram sem acesso à apresentação. Para Izabel, o episódio representa um retrocesso na garantia de direitos conquistados pelas pessoas com deficiência, especialmente no acesso à cultura.
Intérprete aponta violação do direito à acessibilidade
Uma intérprete de Libras, ouvida pela reportagem do Rio Grande Record, criticou a retirada das profissionais e destacou que a acessibilidade é indispensável para garantir a participação das pessoas surdas em atividades culturais.
Segundo ela, a presença das intérpretes não poderia ser tratada como um elemento secundário da apresentação, já que era justamente o recurso que permitia ao público surdo compreender o espetáculo.
A profissional ressaltou que a linguagem em Libras é reconhecida pela legislação brasileira e que a Lei Brasileira de Inclusão assegura às pessoas com deficiência o acesso à cultura em condições de igualdade.
Ela também questionou a decisão de manter a apresentação sem interpretação, argumentando que o incômodo provocado pela sombra no palco não poderia se sobrepor ao direito de acesso dos espectadores.
Produção assume responsabilidade e pede desculpas
A produtora responsável pelo espetáculo reconheceu a falha e assumiu a responsabilidade por não ter garantido previamente a compatibilidade entre a iluminação cênica e o posicionamento das intérpretes de Libras. A empresa pediu desculpas ao público surdo pelo ocorrido.
A Fundação Theatro São Pedro também lamentou o episódio e informou que não foi possível encontrar uma solução técnica a tempo de manter a interpretação durante a apresentação.
Na noite anterior, a mesma peça havia sido encenada com interpretação em Libras, sem registro de problemas. Até o momento da reportagem, Marco Nanini não havia se manifestado sobre o episódio.















