93% dos promotores públicos são brancos, aponta parcial de censo do Ministério Público de SP
Proporção é parecida entre membros com menos de 5 anos e com mais de 20 anos no órgão
São Paulo|Alvaro Magalhães, do R7

Noventa e três porcento dos procuradores de Justiça e promotores públicos de São Paulo são brancos, aponta resultado parcial do censo racial divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Ministério Público Estadual.
Até o momento, 1.546 integrantes do órgão responderam o censo: 1.434 disseram ser brancos (92,8%); 54 disseram ser negros (pretos ou pardos) (3,5%); 54 disseram ter origem oriental (amarelos) (3,5%); e 4 disseram ser indígenas (0,2%).
O órgão ainda aguarda a resposta de 426 (22%) de seus integrantes. O prazo para envio das respostas, que era até 30 de junho, foi prorrogado até o próximo dia 24. A resposta é obrigatória.
Entre os brancos, 916 (64%) são homens e 518 (36%) são mulheres. No grupo dos negros, 46 (85%) são do sexo masculino e 8 são do sexo feminino (15%). Entre os orientais, há 26 homens e (48%) e 28 mulheres (52%). No grupo dos indígenas, há 3 homens (75%) e 1 mulher (25%).
O Censo mostra ainda que não há grande diferença na proporção entre os procuradores e promotores antigos e novos.
Considerando apenas os que integram o órgão há mais de 20 anos, 594 (91%) são brancos; 38 são negros (6%); 23 são orientais (23%) e 1 é indígena (0,4%). Já entre os que são membros do MP há menos de 5 anos, 253 (95%) são brancos; 12 são negros (3%); 6 são amarelos (1%) e 1 é indígena (0,6%).
Cotas
No ato normativo que estabeleceu a obrigatoriedade de os membros do MP-SP informar à administração a sua raça/cor, o procurador-geral, Márcio Elias Rosa, destacou que a Comissão nacional Permanente de Direitos Humanos aprovou, no ano passado, proposta de moção recomendando aos Ministérios Públicos do País a adoção de reserva de vagas destinadas a negros e sugerindo a realização do censo para traçar o perfil racial de seus membros.
O procurador-geral destacou também que o Conselho Nacional do Ministério Público validou, neste ano, a adoção de cotas raciais no concurso do Ministério Público da Bahia e que diversos órgãos do sistema de Justiça brasileiro já estabeleceram cotas em seus concursos.
1,5 milhão de mulheres negras são vítimas de violência doméstica no Brasil













