A 2 meses do prazo, política de resíduos tem desafios
Logística reversa é apontada com um dos principais gargalos
São Paulo|Do R7
O jornal O Estado de S. Paulo e a Fecomércio (Federação do Comércio de São Paulo) realizaram nesta quarta-feira (29) o seminário "Soluções para o lixo: você, sua empresa e sua cidade estão preparados para cumprir a nova lei de resíduos sólidos?". Algumas metas vencem no início de agosto e muitas estão longe de serem cumpridas, em especial a destinação somente de resíduos em aterros sanitários.
Durante o seminário, foi apontado que um dos principais gargalos é a logística reversa, que coloca nas mãos de fabricantes, distribuidores e comerciantes a responsabilidade pelo retorno do produto após o seu consumo. Entende-se por resíduo tudo aquilo que não seja passível de algum tipo de reaproveitamento, recuperação ou reciclagem. Para alcançar isso, porém, é preciso que processos de coleta seletiva, reciclagem e até mesmo compostagem funcionem em plena atividade.
Atualmente, alguns setores, como o de lubrificantes e de celulares, já atuam nesse processo em maior ou menor escala. O setor de varejo também colabora com a coleta seletiva. Mas vários outros ramos enfrentam dificuldades, como o de medicamentos. "O problema vai ser resolvido de baixo para cima, das empresas para o governo", resumiu José Goldemberg, presidente do Conselho de Sustentabilidade da Fecomércio.
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A implementação da logística reversa traz custos às empresas, que em alguma medida também são repassados aos consumidores. Empresários, sobretudo do comércio, solicitam redução de tributos para compensar parte dos investimentos. "A empresa só consegue recuperar 20% do que gasta no processo. Um plástico reciclado hoje paga os mesmos impostos que um plástico 'original'", disse Ezio Antunes, diretor executivo do programa Jogue Limpo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom).
Para Paulo Pompilio, do Grupo Pão de Açúcar, o desafio do varejo é a redução do patamar de preços de produtos sustentáveis. "
— Quanto mais próximo do produto convencional for o preço, maior a aceitação do consumidor e maior a produtividade. Não é a realidade hoje.
De acordo com o executivo, produtos sustentáveis são em média de 10% a 15% mais caros. Flávio Ribeiro, assessor técnico da diretoria da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), destaca que, apesar dos incentivos previstos, haverá impacto em todos os elos da cadeia.
— Todos sabem que qualidade tem preço. Se não der para baratear de um lado, a resposta pode ser encarecer de outro, como na Europa.
Ele citou o caso da Holanda, que cobra 120 por tonelada destinada aos aterros sanitários. Como resultado, o país aterra apenas 3% dos resíduos, e incinera 16%. Na capital paulista, 98% dos resíduos vão para aterros.













