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Acidente na Mogi-Bertioga: enterro de vítimas põe cidade de luto

Leia relatos de familiares de parte dos estudantes mortos em tragédia na noite de quarta-feira

São Paulo|Do R7

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Corpos foram velados em ginásio esportivo de uma escola municipal
Corpos foram velados em ginásio esportivo de uma escola municipal

Oito das 18 vítimas do acidente de ônibus na rodovia Mogi-Bertioga foram enterradas na manhã desta sexta-feira (10) no Cemitério de Barra do Una, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Muitos eram moradores do local, o que comoveu amigos, vizinhos e comerciantes da região — quase todos fecharam as portas em sinal de luto.

A agente comunitária de saúde Josefa Cleide Braz Silva, de 35 anos, viajou de Aracati, no Ceará, para se despedir do irmão Damião Nunes Braz, de 33, pedreiro que estudava Engenharia Civil. "Ele morava aqui havia 15 anos e tinha o sonho de fazer faculdade. Ele passou muita necessidade nessa vida", lamentou. Josefa diz que temia a estrada. "Sempre disse que tinha medo do perigo. Tanto que ele queria ir de carro, mas ficava preocupado e preferiu começar a pegar o ônibus."


O estudante de Jornalismo Lucas Inácio Alves Pereira foi lembrado como um jovem dedicado e comunicativo por Tatiane Pommer, de 26 anos, dona de uma padaria onde ele trabalhou. "Estava todo feliz porque ia começar a faculdade." A rotina de acordar cedo para entrar na padaria não o incomodava, segundo ela. "Ele ajudava a família com o dinheiro que recebia", contou. Tatiane conhecia quase todas as vítimas.

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Prima da estudante de Engenharia Civil Gabriela Silva Oliveira dos Santos, de 22 anos, a empresária Daniele Santos Andrade, de 27, disse que a família ainda não acreditava que a jovem estava entre as vítimas. Segundo ela, a estudante se atrasou e achou que perderia o ônibus. "Tudo indicava que não iria. Estava atrasada, mas correu e conseguiu ir. Mas não teve aula e ela ficou fazendo hora no shopping. Ligou para a mãe e disse que estava com frio. A mãe dela falou para comprar uma blusa."


Horas depois, Daniela recebia pedidos para buscar pela prima, ligando para os hospitais que estavam recebendo as vítimas. O reconhecimento do corpo foi feito por um tio. "Meus tios trabalham com obras, fazem serviço de manutenção. O pai dela também. Ela queria ajudá-lo", afirmou a empresária. "Ele tem uma barraca na praia e ela trabalhava lá nos fins de semana."

A tragédia representou o fim de uma longa amizade, relatou a dona de casa Gilcineia Gonçalina de Freitas, de 42 anos. Agora, ela dá apoio ao filho de 19 anos que perdeu o melhor amigo no acidente. "Ficou chocado. Eram amigos desde os 6 anos, estudaram juntos. O Guilherme era muito obediente e estudioso", disse, em referência ao estudante Guilherme Mendonça de Oliveira, de 19 anos, que não foi enterrado na cidade. Ela acompanhou o enterro em Barra do Una para se despedir de outros amigos. "Todo mundo se conhecia, todos nós éramos muito próximos. Vimos quando eles eram crianças. Eles cresceram aqui."


Funcionário da prefeitura há um ano, o agente de serviços gerais Antonio Bartolomeu de Santana, de 53 anos, disse que nunca tinha trabalhado em uma tragédia como a que aconteceu na noite de quarta-feira. "Já vi muita coisa em rodovia, mas é a primeira vez que acompanho algo assim. Hoje não deu para segurar as lágrimas. Eles eram muito jovens, eram o futuro do Brasil."

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