Após as bikes, carros compartilhados chegam às ruas de SP com preço por minuto
Motorista poderá deixar carro na rua e dirigir veículos de luxo como Smart e BMW i3 elétrico
São Paulo|Raphael Hakime, do R7

Os paulistanos já estão acostumados a abrir um aplicativo no smartphone, procurar uma ilha de bicicletas, desbloquear uma unidade e pedalar pela cidade. Depois, basta procurar uma outra ilha e devolver a bike. Uma parceria entre alguns bancos e a Prefeitura de São Paulo viabilizou o serviço, que caiu no gosto inclusive dos ciclistas de final de semana.
A partir deste domingo (9), estreia na capital paulista um serviço parecido, só que, ao invés das bicicletas, com carros compartilhados. Inicialmente, 60 veículos ficarão espalhados pelas ruas dos bairros Jardim Europa, Vila Olímpia, Vila Nova Conceição e Itaim Bibi. Para conseguir “retirar” um carro, o usuário precisa baixar um aplicativo — o Urbano LDSharing — e fazer um cadastro, que exige uma CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e um cartão de crédito.
Pioneiro no Brasil, o serviço já é comum em países como Espanha, Bélgica e no México. Para aprovar um usuário, a empresa responsável, o LDS Group, fará um cruzamento de informações com base em dados do Detran e das bandeiras de cartão.
Se o interessado estiver habilitado e tiver a permissão de utilizar o cartão, recebe um e-mail via SMS e que já pode utilizar o serviço, explica o CEO da empresa, Leonardo Domingos.
— É bem parecido com o que já acontece com as bicicletas, com a diferenças de que as bikes têm as estações, onde você deve retirar e deixar depois de usar. No nosso modelo, estamos desenhando as home zones [zonas de retirada e devolução, numa tradução aproximada]. Então, via o sistema de tecnologia, a gente determina raios dentro das áreas que a gente vai atuar e você pode parar ou pegar o carro em qualquer lugar.
Os veículos Smart são abastecidos com gasolina, enquanto os BMW i3 são híbridos e tem 220 km de autonomia elétrica e 80 km de autonomia à combustão. Antes de começar a rodar, todos estarão sempre abastecidos, explica Domingos.
Os carros da frota estão isentos do rodízio, uma vez que a prefeitura apoia empresas de carros compartilhados. Cálculos da administração municipal e das empresas do setor dão conta de que cada carro compartilhado na rua retira outros 15 de circulação.

E as chaves?
Depois de aprovado pela empresa e baixar o aplicativo, você terá que encontrar o carro mais próximo, reservar e aí chegar ao veículo dentro de 15 minutos. Ao encontrar o veículo, basta apertar o botão “destravar” no próprio aplicativo e o carro abre as portas, explica Domingos.
— Aí você já pode entrar no veículo. Abre o porta-luvas, pega a chaves, liga o carro e sai andando. A gente faz a instalação de um aparelho dentro do veículo que ele informa toda a telemetria. Então, eu sei quantos kms o carro percorreu, se o carro tem combustível, se está abastecido...
Onde devolver?
A retirada e a devolução do veículo deve ser feita na chamada home zone. Sempre que estiver dirigindo e sair da área delimitada das home zones, o painel do carro acende uma luz vermelha. Isso quer dizer que você não pode entregar o carro de volta ali — ou seja, não pode estacionar e achar que devolveu o veículo. O CEO da empresa dá um exemplo.
— Por exemplo, você vai jantar fora e o lugar onde fica o restaurante não é uma home zone. Sem problemas. Você para o carro, tranca e leva a chave. Só que isso o taxímetro está ligado, certo? Aí, depois de jantar, você chega a um bairro em que acende a luz verde no seu painel ou você vê no aplicativo onde tem a home zone mais próxima. Aí, você pode parar o carro em qualquer lugar em que você pode estacionar e encerrar a corrida. Então, você paga pela utilização fracionada do carro.
Vale a pena ficar atento à higiene do veículo, uma vez que existe uma cláusula no contrato para punir os motoristas porcalhões.
— Quem deixar o carro sujo terá que pagar pela higienização. A gente vai pegar no pé do cara, mas de uma forma amigável. Se bater o carro, ele teoricamente teria que pagar a pré-autorização do cartão de crédito, correspondente ao valor da franquia. São R$ 1.300.

Melhor alugar? E o preço?
De acordo com a empresa, o conceito é estimular a mobilidade. “A gente quer que o cidadão pegue o carro aqui e devolva em outro quarteirão”, diz o executivo. Por isso, ao invés de concorrer com as empresas de locação de veículo, o serviço passa a duelar com os aplicativos de carona.
— Os nossos concorrentes seriam o Uber, Cabify, 99 Taxis... A gente tem a tarifa mais ou menos alinhada com eles. São R$ 29 por 20 minutos ou R$ 1,20 por minuto [a partir do 21º minuto]. Se você é mensalista, você paga R$ 89 por mês e utiliza o carro 74 minutos fracionados. Então, você pode pegar o carro, usar 3 minutos e parar. Pegar o carro, usar mais 15 minutos e parar. O aplicativo vai avisando quantos minutos ainda restam.
Furtos e roubos
A empresa admite a possibilidade de os veículos serem furtados ou roubados, mas diz estar preparada para isso. O executivo afirma que, “na inauguração do projeto em Bruxelas, na Bélgica, houve 7 carros roubados, mas foram todos recuperados”.
— Obviamente, vai ter [roubou ou furto], mas todos os carros estão assegurados. Então, para nós, a gente 100% da telemetria e dois rastreadores nos carros. Então, tem como localizar os carros precisamente. Vai ser em qualquer lugar do mundo. Não vemos nisso um grande problema.















