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Após redução de velocidade, motorista perde carteira e gasta R$ 100 por dia para trabalhar

Santisteban, que tem um carro 1.8, relata dificuldade de andar a 50 km/h: "é uma armadilha"

São Paulo|Do R7

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Vitor teve que ir de ônibus para a praia
Vitor teve que ir de ônibus para a praia

O empresário Vitor Santisteban, 35 anos, se define como um motorista cuidadoso e atento, que dirige desde os 18 anos e não tinha um histórico de muitas multas... até quatro meses atrás. "Foi uma sucessão de multas e acabei com a minha habilitação cassada. A maioria por excesso de velocidade na marginal Tietê. Nos trechos em que o limite caiu para 50 km por hora, eu cheguei ao ponto de dirigir em primeira marcha, segurando o carro, mas mesmo assim fui multado. Qualquer pressãozinha que se faz no pedal do acelerador já está acima do limite. É, literalmente, uma armadilha", disse.

Vitor não é dono de um carrão ou tem o perfil de motorista que gosta de velocidade. O veículo dele é um Toyota Corolla, com motor 1.8, e só usa o carro no trabalho, durante o dia. "Moro em Santana e tenho clientes em várias regiões. Com a redução do limite de velocidade em quase toda a cidade, eu tive que antecipar a saída de casa em até três horas para chegar a tempo nos compromissos. O que fizeram no trânsito da cidade, principalmente nas marginais, parece brincadeira. A marginal é uma via rápida. Foi construída para isso. Não é uma passagem de pedestres ou algo parecido. Reduziram a velocidade sem nenhuma consulta pública ou uma avaliação séria", disse o empresário.


Sem a habilitação, a rotina do empresário passou por mudanças drásticas. "Estou gastando mais de R$ 100 por dia com táxi. E estou andando também em ônibus e metrô lotados", reclama. No feriado de Páscoa, o empresário teve que ir de ônibus para a praia. "Eu não ia perder a chance de descansar, mas também estava impedido de dirigir. A solução foi ir de ônibus mesmo", lamentou.

Uma pessoa foi multada a cada 2 segundos na capital em 2015


Com "pegadinha", radar na marginal Tietê segue como campeão de multas em 2015

Além de ser pego por excesso de velocidade, Vitor também perdeu alguns pontos na habilitação por dirigir nos dias de rodízio. "Eu não reclamo do valor da multa. Acho que o rodízio tem sua utilidade, mas tem situações em que o motorista precisa sair de carro. Comigo já aconteceu de ser multado porque fiquei preso no trânsito, que estava um caos, e acabei dentro da área restrita no horário de rodízio. Multar pelo rodízio tudo bem, mas perder os pontos é um abuso. Se o cidadão pega cinco multas de rodízio no ano, o que não é muito, ele tem a habilitação cassada e é tratado do mesmo jeito que um motorista que bebe e atropela um inocente", disse.


Nas próximas semanas, Vitor vai fazer o curso de reciclagem, aos sábados, para reaver a habilitação. Ele já prevê que os problemas com as multas devem piorar. "O esquema é escancarado. As obras são feitas já com a intenção de pegar os motoristas. Fui multado no retorno que existe na praça da Bandeira para entrar na avenida Nove de Julho. Lá colocaram um gradil e, quando o trânsito fica mais pesado, você é jogado na faixa exclusiva de ônibus. E, lógico, fica uma equipe da CET ali para multar mesmo", disse.

Em julho do ano passado, Vitor e um grupo de amigos entraram com uma representação no Ministério Público de São Paulo questionando a redução no limite de velocidade nas marginais e a contratação emergencial que a prefeitura fez para as placas e a sinalização dos novos limites. "Foi uma operação muito estranha e que até o momento não explicaram nada. O cidadão tem o direito de saber se foi uma ação para melhorar o trânsito, o que é controverso, ou se era só uma estratégia para aumentar a arrecadação com as multas e superfaturar as despesas com a sinalização. É uma suspeita que está sem resposta", disse.


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