Apreensões de mercadorias no metrô de SP triplicam desde 2014
Em 2017, foram 287% mais apreensões que em 2014. No primeiro semestre de 2018 o número de mercadorias retidas foi similar ao ano anterior
São Paulo|Pedro Pannunzio, do R7*

Dados solicitados via LAI (Lei de Acesso à Informação) pelo R7 mostram que o número de apreensões feitas por agentes de segurança triplicou nos últimos quatro anos. Em 2017 foram 18.543 ocorrências de apreensão, em contraste com as 4.791 em 2014—aumento de 287%.
“Já aconteceu de pegarem minha mercadoria duas vezes no mesmo dia”, conta Graziela, de 22 anos. Ela é mais uma entre tantas pessoas que ganha a vida como ambulante no metrô de São Paulo.
A ambulante diz que costuma ter mercadorias apreendidas, em média, de três a quatro vezes por semana. Ela conta que está desempregada há cinco meses e, mesmo sabendo que é uma prática ilegal, precisa vender os produtos para sustentar os filhos de 1 e 4 anos. “Querendo ou não, eu tenho família.” Graziele é mãe solo. O rendimento mensal dela varia conforme a quantidade de apreensões. Nos meses “bons” ela consegue tirar R$ 1.500. Nos “ruins”, não mais que R$ 700.
O grande salto ocorreu em 2016, quando o número de apreensões feitas foi quase o dobro do ano anterior, saindo de 6.664 para 12.172 casos. Neste ano, a tendência é que o número de ações registradas seja similar a 2017. No primeiro semestre de 2018 foram 7.330 apreensões realizadas, apenas 389 a menos que o mesmo período do ano anterior.
Apesar do expressivo número, um agente de segurança, que prefere não se identificar, garante que “não vê os ambulantes como criminosos”. Ele afirma que sua maior preocupação durante o trabalho é com casos de roubos e furtos que ocorrem nas estações. O agente também demonstra certa compreensão com o ganha pão dessas pessoas e atribui o aumento de recolhimentos à falta de empregos no país. “É o desemprego, né. Não tem jeito”, diz.
Um outro agente de segurança afirma que procura manter uma relação harmoniosa com os camelôs. Ele explica que a recomendação recebida pelos agentes é para que a apreensão ocorra em último caso e que antes devem apenas orientar o ambulante para que saia do vagão. Ele também explica que os camelôs evitam transitar por locais onde tenha algum agente. “Onde tem segurança, não tem ambulante", diz.
A versão de Graziele, no entanto, é diferente. Ela conta que a primeira ação dos agentes é retirar a mercadoria e que, em alguns casos, consegue reaver os produtos “na conversa”. Ela relata que nunca foi vítima de violência física por parte dos seguranças, mas, ainda assim, tem “medo de apanhar”.
Os dois agentes ouvidos pela reportagem reconhecem que em alguns casos ocorrem excessos durante abordagens. Para eles, esses eventos são decorrência de problemas pessoais que podem surgir durante as abordagens. Os agentes afirmam que em alguns casos são xingados pelos ambulantes, o que acaba desencadeando exagero de ambas as partes.
Alguns camelôs, no entanto, preferem não correr riscos. Um ambulante ouvido pela reportagem do R7, que também não quis se identificar, disse que vende produtos apenas nos ônibus, por ser mais "seguro". "Prefiro não trabalhar no metrô. Lá, a gente perde mercadoria", alega.

Número de agentes
Ainda que o número de apreensões realizadas tenha aumentado consideravelmente, o quadro de agentes de segurança se manteve constante nos últimos quatro anos.
Do primeiro semestre de 2014 ao mesmo período de 2018, houve um acréscimo de 103 agentes. O efetivo total registrado neste ano é de 1267 seguranças.
O metrô ainda conta com o CCS (Centro de Controle da Segurança), que monitora a rede metroviária por meio de mais de 3.900 câmeras de vigilância.
O que diz o metrô
Em nota o metrô de São Paulo diz que como resultado do conjunto de medidas adotadas, o número de ações de recolhimento de mercadorias no sistema metroviário vem aumentando significativamente. "Quando flagrados, os vendedores têm suas mercadorias recolhidas e encaminhadas à Prefeitura Regional mais próxima da estação onde ocorreu a ação. O vendedor pode retirar a mercadoria de acordo com os critérios estipulados pela Prefeitura de São Paulo."
*Estagiário do R7, sob supervisão de Ingrid Alfaya















