Artistas mantém ocupação na Funarte em SP
Ato contesta, principalmente, a extinção do Ministério da Cultura, englobado pela Educação
São Paulo|Da Agência Brasil

Os manifestantes que ocuparam a sede da Funarte (Fundação Nacional de Artes) em São Paulo planejam uma série de atividades no local, que fica na Alameda Nothmann, no centro da capital. “A ideia é abrir o espaço para a comunidade”, disse nesta quarta-feira (18) o ator Alessandro Azevedo, um dos participantes da ocupação. “O que está acontecendo agora é uma comoção muito grande de todos os coletivos, os grupos da periferia estão chegando junto”, acrescentou. O movimento protesta principalmente contra a extinção do MinC (Ministério da Cultura), que foi englobado pelo Ministério da Educação.
A expectativa é que o cantor Chico César faça hoje à noite uma apresentação no local. Além disso, o grupo pretende fazer uma programação paralela à Virada Cultural, que ocorre no próximo fim de semana na cidade. Um manifesto com os objetivos e ideias do movimento deve ser publicado ainda hoje nas redes sociais.
O grupo, formado principalmente por artistas, chegou ao galpão da Funarte por volta das 15h desta terça-feira (17). O ato critica o processo de impeachment, que empossou Michel Temer como presidente interino, após a decisão do Senado de afastar a presidente Dilma Rousseff.
Prédios públicos são ocupados em protesto contra extinção de Ministério da Cultura
Desde o ano passado, a Funarte vinha enfrentando problemas para honrar os pagamentos aos vencedores de editais de fomento cultural promovidos pelo órgão. Em nota divulgada na última quinta-feira (12), o ex-presidente da fundação Francisco Bosco lamentou não ter podido liquidar as pendências.
“Em virtude da situação política e econômica anormal por que passa o País, os repasses financeiros do governo federal ao MinC — e desse à Funarte — se concretizaram até o momento em valores drasticamente mais baixos do que os repasses feitos no ano anterior, no mesmo período. Com isso, o MinC e a Funarte têm operado este ano quase que apenas em nível do custeio, sem poder liquidar suas ações finalísticas de 2015, conforme esperado”, diz o comunicado da semana passada.
A nota acrescenta que os editais promovidos durante 2015 constam na rubrica “restos a pagar”, o que, de acordo com a nota, obriga a próxima gestão a liquidar os pagamentos “à medida que for recebendo os recursos para tanto”.
A exoneração de Bosco foi publicada no Diário Oficial da União de ontem, juntamente com responsáveis por outros órgãos governamentais, entre eles o diretor-presidente da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Ricardo Melo. No entanto, como a lei de criação da EBC prevê mandato de quatro anos para o cargo, Melo anunciou que vai recorrer da decisão.
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