"As cenas eram marcadas por uma violência descabida", diz perito sobre massacre do Carandiru
Também testemunha no júri anterior, ele voltou a dizer que a cena do crime não foi preservada
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7
Primeira testemunha a ser ouvida no 3º bloco do julgamento dos envolvidos no massacre do Carandiru, o perito criminal Osvaldo Negrini destacou que a maioria dos vestígios de buracos de bala que encontrou na Casa de Detenção de São Paulo, após as mortes de 111 internos em outubro de 1992, concentrava-se dentro das celas.Desta vez, 15 policiais militares, entre eles, três coronéis, são acusados pelos homicídios de oito detentos e pela tentativa de assassinato de outras duas vítimas no 3º andar, o que equivale ao 4º pavimento.
De acordo com ele, a maior parte dos tiros foi dada da porta das celas para o interior. A exemplo do que aconteceu no júri anterior, quando também foi testemunha, o perito voltou a dizer que não houve preservação da cena do crime e que muitas das cápsulas deflagradas desapareceram do local. Ele destacou que, pela quantidade de vestígios verificada nas paredes, deveriam ter sido encontrados inúmeros estojos de balas no chão e quase nenhum acabou nas mãos da perícia.
Ele afirmou ainda que, tomando como base as marcas de tiro e os projéteis localizados nos corpos das vítimas, é possível dizer que quase 800 disparos foram realizados naquele dia, no Carandiru.
— As cenas eram marcadas por uma violência descabida.
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Negrini relatou que no 3º andar (4º pavimento) só foram encontrados vestígios de tiros em uma única cela. Conforme o perito, não foi comprovada a existência de confronto armado entre policiais e presos na Casa de Detenção.
Ordem para não entrar
O perito afirmou que, inicialmente, havia ordem para ninguém entrar, somente a polícia, e que teve que recorrer à “uma manobra de disfarce” para ter acesso à Casa de Detenção.
— Fui escondido na viatura do delegado.
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Indagado pelo Ministério Público, Negrini reiterou que, na avaliação dele, o propósito da PM era a “incapacitação imediata”, com o objetivo de levar os presos à morte. Segundo ele, o fato de haver quatro, cinco tiros em um único corpo mostra que a intenção não era só dar um alerta.
O depoimento começou às 14h45 e terminou cerca de 1h40 depois.













