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Atirador da Aclimação demonstrou preocupação com vítimas, diz advogado

Segundo defensor, ele perguntou sobre o estado dos três que baleou

São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

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Após quase nove horas de negociação com a PM, administrador se entrega
Após quase nove horas de negociação com a PM, administrador se entrega

Durante o primeiro contato com o advogado após ser transferido para a Penitenciária Tremembé 2, na terça-feira (24), o administrador de empresas Fernando Behmer Cesar de Gouveia, 33 anos, teria demonstrado preocupação com as três pessoas baleadas por ele na quinta-feira (18), na Aclimação, região central de São Paulo. De acordo com Ricardo Martins, defensor contratado pelo pai de Gouveia, o rapaz teria perguntado sobre as  vítimas.

Os disparos foram feitos quando o administrador recebeu uma ordem judicial de interdição, entregue por um oficial de Justiça, acompanhado por uma equipe médica e pelo advogado contratado pela mãe dele, que propôs a ação. O oficial, um enfermeiro e a amiga do administrador, moradora da casa onde Gouveia estava hospedado, foram atingidos.

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Ele se rendeu após quase nove horas de negociação com a polícia. Na delegacia, alegou que agiu em legítima defesa por pensar, inicialmente, que se tratavam de criminosos. Segundo Martins, o administrador reiterou o argumento que apresentou à polícia.

Gouveia foi indiciado por seis tentativas de homicídio, já que que teria atirado ainda contra três policiais. De acordo com o delegado José Marques, titular do 6º Distrito Policial (Cambuci), o administrador pode ainda responder por uma sexta tentativa de assassinato, caso fique provado que tentou disparar na direção de outro enfermeiro da equipe.

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Decisão contestada

Ricardo Martins informou que está contestando a decisão liminar que determinou a interdição do rapaz, tomada com base em um parecer que indicava um possível quadro de esquizofrenia. Segundo argumenta o advogado, o parecer teria sido elaborado sem uma avaliação psiquiátrica presencial.

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Na segunda-feira (22), a Justiça determinou que Gouveia não fosse transferido para um hospital psiquiátrico antes passar pela análise de um perito oficial, acatando o pedido apresentado por Martins.

Provas "robustas"

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O advogado contratado pela mãe do administrador, José Cociolito, afirmou, em entrevista na segunda-feira, que o objetivo da ordem judicial era fazer com que Gouveia fosse submetido a exame psiquiátrico para constatar se precisaria de internação ou não. Ele destacou ainda que a preocupação da mãe era com a saúde do filho e que havia no processo de interdição provas “contundentes e robustas”.

Isolamento

Como tem curso superior e diante da repercussão do caso, Gouveia foi transferido da carceragem do 31º Distrito Policial (Vila Carrão), zona leste da capital, para a Penitenciária Tremembé 2, a 147 km de São Paulo.

Apelidado de "presídio dos famosos", o complexo penitenciário tem entre seus internos Lindemberg Alves, condenado por assassinar a namorada Eloá Pimentel; Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais; Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, condenados pelo homicídio da menina Isabella Nardoni; e Elize Matsunaga, acusada de matar e esquartejar o marido, o executivo da Yoki, Marcos Matsunaga.

O administrador passará os primeiros dez dias isolado, no chamado regime de observação, aplicado na primeira entrada no sistema prisional e, em algumas situações, após transferência.

Durante o período, Gouveia só poderá receber visita do advogado e será avaliado pela direção da penitenciária, que verificará como será a adaptação do detento ao sistema carcerário.

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