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'Atirar nas costas é desleal', diz irmão de adolescente morto em SP

PM que disparou em jovem é afastado dos serviços operacionais, mas exerce outras funções na instituição. Polícia Civil abre inquérito para investigar o caso

São Paulo|Fabíola Perez, do R7

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Jovem de 16 anos morre após perseguição policial na Vila Santa Catarina (SP)
Jovem de 16 anos morre após perseguição policial na Vila Santa Catarina (SP)

Três dias depois da morte de um adolescente de 16 anos em um campo de futebol da Vila Santa Catarina, bairro da zona sul de São Paulo, a família do jovem busca respostas para o que ocorreu de fato nas proximidades da trave do gol que, minutos antes, reunia crianças para uma partida de futebol na Comunidade Vietnã. 

“Pelo que a gente entendeu, acertaram ele pelas costas, isso é desleal. Ele não estava fazendo coisa boa, mas se rendeu, ia se entregar”, diz Higor Alexandre Sillis Silva, 21 anos, irmão do adolescente.


De acordo com o boletim de ocorrência, registrado na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) no sábado (21), após a realização de exame perinecroscópico foi constatada a existência de dois ferimentos, um no tórax e um na região dorsal. 

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP), o policial militar que disparou contra o jovem foi afastado dos serviços operacionais, mas exerce outras funções na instituição, que podem ser administrativas. O caso está sendo investigado por meio de inquérito policial instaurado pela Equipe C Sul da 1ª Delegacia da Divisão de Homicídios do DHPP. “A Corregedoria da Polícia Militar acompanha as investigações, como de praxe em ocorrências de morte decorrente de oposição à intervenção policial.”


No boletim de ocorrência, o policial que participou da perseguição afirmou que estava acompanhando um veículo ASX, que teria sido roubado, quando os suspeitos teriam parado em uma rua e saído correndo entre as vielas da Comunidade do Vietnã.

O policial relatou que o adolescente teria apontado uma arma em sua direção e ele “com o objetivo de se defender foi obrigado a efetuar disparos contra o suspeito.” O PM declarou ainda que foi encontrado um revólver calibre 38, sem a numeração e com cinco cartuchos. Pessoas da vizinhança chamaram uma ambulância do Samu e o jovem foi encaminhado ao Hospital Saboia.


“Menino rebelde, mas de bom coração”

Jovens são acusados de roubar três veículos na manhã do sábado (21)
Jovens são acusados de roubar três veículos na manhã do sábado (21)

O irmão do jovem conta que na infância ambos tinham uma boa convivência. “Ele acabou ficando rebelde, mas era um menino de bom coração”, afirma. “Fez coisas que não devia porque se deixou levar.”


O jovem vivia com os pais, dois irmãos e uma irmã mais nova. Higor conta que nos últimos meses ele andava mais fechado, sem conversar muito com a família. “Antes ele conversava mais com a gente, mas ele começou a mudar”, diz.

No sábado (21), por volta das 10 horas, um dos vizinhos bateu na casa de Higor Alexandre para avisá-los de que o irmão teria sido atingido por um tiro. “Bateram no portão de casa para avisar. Fiquei com minha mãe e meu pai foi até lá. Quando soube que era realmente meu irmão, dei um abraço forte na minha mãe.”

Higor conta que o irmão tinha três passagens pela polícia e que já havia passado pela Fundação Casa. “Tínhamos conversado com ele e sempre falávamos que essa vida não compensava. Ele tinha vontade de ser cozinheiro e gostava de jogar futebol”, afirma.

Na manhã de sábado, Higor conta que o amigo do jovem, que conduziu os veículos que teriam sido roubados, ligou na parte da manhã e convidou o adolescente para dar uma volta.

O jovem frequentava uma escola do bairro e, segundo Higor, seus colegas de classe fizeram uma homenagem ao rapaz assim que souberam das circunstâncias da morte. “Foi o que Deus premeditou para nós. Meus pais estão tentando assimilar”, afirma Higor. Segundo o irmão, o garoto tinha uma espécie de mágoa da polícia. “Ele dizia que já tinha visto colegas morrerem por policiais.”

A família do rapaz afirma que ainda está chocada com a morte. “Esperamos saber como tudo aconteceu. Se o policial for culpado, esperamos que seja feita a justiça”, diz Higor. O R7 tentou entrar em contato com o policial militar mas não conseguiu retorno.

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