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Augusta: um paradoxo entre condomínios e a ocupação das ruas

Empresário diz que local virou um boulevard

São Paulo|Do R7

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Baixo Augusta vive paradoxo
Baixo Augusta vive paradoxo

Enquanto o movimento cultural de revitalização do Baixo Augusta estimula a ocupação das ruas, com mesas na calçada e muita gente caminhando, um paradoxo se dá com novos empreendimentos imobiliários, que continuam subindo no formato de condomínios fechados, com completa estrutura de lazer, mas que isola o morador da rua.

"A Rua Augusta virou um boulevard", diz o empresário Facundo Guerra, um dos sócios do Vegas, balada que fechou as portas em 2013. Guerra tem, entre outros negócios, o Bar Riviera. "Na verdade, ela (a rua) deveria ser fechada ao movimento de carros porque os frequentadores e ambulantes já se apoderaram dela."


É esse público andarilho que os empreendedores culturais pretendem fisgar. "Muitas vezes o meu teatro está vazio e a rua, lotada de jovens tomando cerveja na calçada", diz Leo Medeiros, do Teatro da Rotina. "Quero trazê-los para dentro."

Compartilhar as expressões das ruas, buscar novas formas de cultura e despertar reflexões mais conscientes são objetivos comuns dos novos polos culturais. 


Teatro da Rotina 

O Teatro da Rotina não tem placa nem aparência de um local típico de apresentações ou shows. Fica no número 912 da Rua Augusta, no primeiro andar de um prédio pequeno de escritório, como tantos outros que existem na região. A única indicação é um adesivo em formato de seta, com o nome do teatro, grudado no porteiro eletrônico do edifício.


Baixo Augusta vive (nova) renovação acelerada

Uma vez na porta, aperta-se o botão do conjunto 12 e alguém desce as escadas para abrir - em geral, um dos sete atores voluntários que se revezam nas produção, limpeza, administração, bar e programação da casa.


A semente desse projeto surgiu em 2012, quando o ator Leo Medeiros resolveu montar um grupo de discussão e estudo na casa dele, nos Jardins, em São Paulo, chamado Uma Leitura Apenas. "Identifiquei uma grande insatisfação de atores que se formam e não possuem mercado para trabalhar - isso causa uma depressão imensa. E estava há dez anos sem dirigir. Queria voltar a fazer isso", diz ele, que no início juntou oito pessoas para ler e discutir textos.

As pautas das discussões começaram com "palavras de ordem", segundo Medeiros, como afetividade, coletividade, economia criativa e sustentabilidade.

Questões que geralmente permeiam muito mais a área dos negócios do que das artes. "Precisamos voltar ao tempo em que o espectador saía do teatro refletindo e que o conteúdo apresentado tinha o poder de mudar valores e conceitos."

O grupo cresceu e foi para uma sala de trabalho alugada no mesmo prédio onde funciona hoje. Com o tempo, eles viram que tinham uma peça pronta. Não encontravam espaço para exibi-la, e então Medeiros transformou a sala em teatro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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