Avenida do centro de SP vai ganhar 1.500 mudas de flores neste domingo
Projeto do coletivo Green SP na São Luís tem apoio da prefeitura e de empresários da região
São Paulo|Diego Junqueira, do R7

É um trabalho de semear. Tem de deixar cartas para chamar os moradores do bairro. Falar com empresários para levantar grana, adubo ou qualquer outro tipo de ajuda. Bater na porta da prefeitura e pedir apoio para o trânsito, as mudas e a burocracia. Depois é juntar os braços num domingo cedo, ocupar a avenida e plantar.
Assim trabalha o coletivo Green SP, que planeja transformar a São Luís na avenida mais florida de São Paulo. No próximo domingo (26), um mutirão de pelos menos 400 pessoas (segundo o evento marcado no Facebook) irá plantar 1.500 mudas de flores nos 12 canteiros centrais da via.
Todas tropicais e de meia-sombra, as plantas desenharão um degradê na avenida, partindo de tons mais quentes nas extremidades até cores mais frias no grande canteiro central. Para ali, onde cruza a faixa de pedestre, está prevista uma "experiência sensorial", explica o engenheiro cultural Tomás Tojo, fundador do Green SP.
— Teremos uma explosão de cores e de cheiros para presentear quem atravessa a faixa.

O projeto é uma intervenção urbana e social por meio da jardinagem, mas depende do envolvimento das pessoas. “Esse é o nosso objetivo e nossa ideologia”, diz Tomás.
— Por meio da jardinagem, nós convidamos as pessoas para a rua, para plantar, e daí criar um envolvimento emocional e ao mesmo tempo uma consciência com o espaço.
Essa é a maior empreitada do Green SP, um coletivo sem fins lucrativos formado há menos de um ano na Lapa. Em outubro e janeiro passados, o grupo interveio em duas praças do bairro, na zona oeste de São Paulo, sempre pela jardinagem.
O projeto de intervenção na São Luís é assinado pelas arquitetas Noelia Monteiro, Ana Lucia Longato e Desy Frezet.
Segundo Noelia, era importante que as flores em todos os canteiros “formassem um desenho, tivessem uma continuidade”.
— Demos ênfase no extremo [com as flores vermelhas] como um ponto de atenção, para quem chega de carro. Depois um degradê mais suave de cores até uma concentração forte no canteiro central.

As plantas atualmente no local, Singônio, são todas verdes. Elas serão redistribuídas entre todos os canteiros, já que a ideia não era “tirar tudo o que já existe”, diz a arquiteta.
O projeto contou ainda com o biólogo Daniel Silvestre para avaliar as espécies. Serão ao menos 20, entre elas lanterna vermelha, hibiscus vermelho, cebolinha laranja, olho roxo social, dama da noite, dracena baby, gengibre azul, moreia amarela, flor leopardo e lírios.
#queroverdeperto
Quem vai estar domingo cedo na São Luís é o economista Carlos Ivan Poersch, de 82 anos.
Coordenador da Ação Local São Luís, ligado à ONG Viva o Centro, foi ele quem convidou o coletivo para plantar na avenida.
— Eu já tinha há muito tempo a ideia de melhorar o visual e o urbanismo dos canteiros da avenida e estava tentando descobrir como fazer isso sem depender da prefeitura.
A prefeitura de São Paulo, por meio da subrefeitura da Sé, doou boa parte das mudas (1.300 das 1.500), vindas do viveiro público Manequinho Lopes, que fica no parque Ibirapuera.
Em nota, a Secretaria das Subprefeituras informou que a subprefeitura da Sé "entrará com o apoio logístico, assim como aprovação da proposta e participação durante a ação".
"Este tipo de intervenção educacional é importante, pois estimula a participação ativa da sociedade em relação ao cuidado com a cidade", diz a nota.
Ao menos 30 sacos de terra adubada, além de ferramentas, foram doados pela Flora Morumby. Outros estabelecimentos próximos a São Luís também ajudaram, como a impressão das 800 cartas distribuídas no bairro. Já o edifício Conjunto Zarvos reservou 6.000 litros de água de reúso para o domingo — o Green SP planeja utilizar 450 litros.

Na manhã da última quarta-feira (22), o joalheiro Nicola Panait Cambanelis, 62, que mora há 17 anos em frente à avenida, ainda não sabia da intervenção no quintal de casa. Para ele, a via estava “precisando de uma reforma”.
— Eu e minha esposa já plantamos rosas ali na praça Dom José Gaspar e ninguém tirava não. Flores todo mundo respeita.
Para ver de perto, basta ir à avenida São Luís, no domingo, entre as 9h e as 14h. Não precisa levar ferramentas, mas orquídeas são bem-vindas — para ornar as árvores.
Cada canteiro terá um coordenador, com informações sobre o plantio e o cuidado das espécies. Síndicos e zeladores dos prédios vizinhos, além de empresários, também receberão guias para manter o jardim vivo.
A Secretaria de Subprefeituras se comprometeu a ajudar "com o cuidado e manutenção posterior", mas ressaltou que conta "com a participação da comunidade nas oficinas educacionais que acontecem neste sábado e domingo, para que a manutenção e preservação também sejam feitas pela ação e comunidade local".
Tomás acredita em "uma ocupação responsável da cidade, essa é uma das nossas prioridades, o que significa pensar na manutenção dos jardins, fazer mutirões de manutenção”.
— É uma questão de envolver as pessoas no projeto, para que elas sejam parte do projeto e parte da cidade.













