Bate-boca entre secretários durante paralisação de ônibus não atinge prefeitura e governo do Estado
Proximidade de Haddad com Alckmin é motivo de reclamações no PT desde o ano passado
São Paulo|Do R7
O bate-boca entre autoridades da prefeitura e do governo do Estado por causa da greve dos motoristas provocou elogios até entre setores do PT que criticam a atuação política do prefeito Fernando Haddad desde a posse, em janeiro de 2013. Os petistas enxergaram nas palavras duras trocadas entre o secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, e o subsecretário estadual de Comunicação, Márcio Aith, a possibilidade de um rompimento entre Haddad e o governador Geraldo Alckmin (PSDB).
A proximidade de Haddad com Alckmin é motivo de reclamações no PT principalmente depois das manifestações de junho do ano passado, mas segundo fontes da prefeitura não será desta vez que os petistas poderão comemorar o azedamento das relações entre o prefeito e o governador.
Na terça-feira (20), Tatto acusou a Polícia Militar de omissão e Aith reagiu dizendo ao vivo na TV que um deputado do PT ligado ao secretário participou de uma reunião com supostos integrantes do PCC. Segundo fontes da prefeitura, o bate-boca ficou restrito a Tatto e Aith e não contaminou o diálogo entre Hadad e Alckmin.
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Ainda na terça-feira, o prefeito e o governador conversaram sobre ações conjuntas para debelar a greve. O fato de a Polícia Militar se omitir, na avaliação da prefeitura, diante de supostos atos de sabotagem por parte de grevistas — como rasgar pneus dos ônibus — não foi debitada na conta do governador. De acordo com auxiliares de Haddad, foi "só" mais uma barbeiragem da PM a exemplo de outros episódios como a omissão diante de crimes na Virada Cultural e a repressão às manifestações de junho.
As declarações de Aith também não foram interpretadas como um ataque à prefeitura, mas como uma reação eleitoral dirigida a Tatto e ao posicionamento crítico do Ministério Público Estadual quanto à PM.
Na quinta-feira (22), dirigentes petistas, como o presidente estadual do PT, Emidio de Souza, coordenador da pré-campanha de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo, saíram em defesa de Haddad e criticaram Alckmin.
— Haddad não tem culpa nenhuma. Se houve algum problema foi o fato de a PM não ter agido enquanto as ruas ficaram completamente entregues aos grevistas.
O presidente municipal do PT, Paulo Fiorillo também defendeu o prefeito Fernando Haddad.
— A responsabilidade do Haddad nessa greve é nenhuma. Cabe aos trabalhadores negociar com os patrões e ao sindicato dos patrões cumprir os acordos.
Em conversas reservadas, dirigentes do PT também elogiaram o fato de Haddad ter consultado o governo federal e o Ministério do Trabalho durante os momentos de maior tensão.
"Guerrilha"
Uma das exceções foi o ex-deputado Ricardo Zarattini, que integrou grupos de resistência armada à ditadura militar e criticou em uma rede social o uso da palavra "guerrilha" pelo prefeito para classificar a greve dos motoristas.
— Os motoristas e os cobradores não tem nada a ver com uma suposta e inexistente "guerrilha". Menos companheiro Haddad!.















