Bikes mais que dobram com ciclovia na Paulista
39% dos usuários da ciclovia na principal avenida de SP têm entre 25 e 34 anos
São Paulo|Do R7

O número de bicicletas que trafegam pela Avenida Paulista mais do que dobrou após a inauguração da ciclovia. Contagem feita neste mês pela Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), obtida com exclusividade pela reportagem, mostra que 2.112 ciclistas pedalaram pela via, ante 977 registrados em levantamento anterior, realizado em junho, antes da abertura do equipamento pela gestão Fernando Haddad (PT).
A pesquisa será divulgada nesta segunda-feira (21), dentro da Semana Nacional da Mobilidade, que começou no dia 18 e acaba no dia 25. Feita no dia 15 deste mês, a contagem mostrou que das 6 horas às 20 horas passaram pela ciclovia 150 bikes por hora — média de quase três ciclistas por minuto. O levantamento anterior foi realizado em 26 de junho, dois dias antes da inauguração.
Para Daniel Guth, diretor da Ciclocidade, o aumento se deve tanto à estrutura quanto à mudança de comportamento de paulistanos que trocaram o transporte público e o automóvel pela bicicleta. "Tem muita gente nova começando a pedalar. Isso mostra nitidamente que a ciclovia é usada muito por quem trabalha e estuda e não está passeando e usando a bicicleta por lazer", disse Guth.
A Ciclocidade, em parceria com a ONG Mobilidade Ativa e o Observatório das Metrópoles, pesquisou também o perfil dos ciclistas em toda a capital, com base em 1.786 questionários. A principal faixa etária vai dos 25 aos 34 anos (39%), seguida dos 35 aos 44 anos (27,1%).
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A faixa de renda predominante dos ciclistas paulistanos está entre um e dois salários mínimos (28,2%), seguida de quem ganha entre dois e três salários (18,9%). Para Guth, o dado desmistifica a imagem de que "quem pedala em São Paulo é 'mauricinho'". "São trabalhadores que estão mudando a forma de pensar e interagir com a cidade", disse.
Assim que a ciclovia da Avenida Paulista foi inaugurada, a assistente editorial Caroline Fernandes, de 28 anos, trocou as viagens de metrô entre a Estação Santa Cruz, da Linha 1-Azul, e o centro, pela bicicleta. Todos os dias, ela pedala cerca de 30 minutos para chegar ao trabalho. De Metrô, levava 40.
"O transporte público estressava demais, e eu já chegava cansada ao trabalho. De bicicleta eu vejo a rua, reparo mais no que acontece à minha volta e fico disposta o restante do dia", afirmou Caroline. Ela disse que não pretende comprar carro.
A troca dos vagões superlotados pela bicicleta aconteceu, principalmente, porque Caroline se sentiu "mais segura" para fazer o trajeto. "Tem ciclovia da minha casa até o trabalho."
Venda
Já o administrador de empresas Allan Podanovski, de 45 anos, pedala desde 2008. "Não foi uma escolha por lazer. É para trabalhar, sair do trânsito, parar de perder tempo em congestionamento", disse. Entre sua casa, na Avenida Angélica, e o trabalho, no Itaim-Bibi, na zona sul, pedala 25 minutos.
A mudança de postura fez Podanovski vender um veículo. "Na minha casa eram dois carros, um meu e o outro da minha mulher. Como comecei a fazer tudo de bicicleta, não fazia sentido ter dois", disse.
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Desde sua inauguração, em 1891, a avenida Paulista continua a ser um dos lugares mais emblemáticos de São Paulo. Seus quase 3 km de extensão são sensíveis. Eles refletem a personalidade daqueles que estão na gestão da cidade e das gerações de moradores...
Desde sua inauguração, em 1891, a avenida Paulista continua a ser um dos lugares mais emblemáticos de São Paulo. Seus quase 3 km de extensão são sensíveis. Eles refletem a personalidade daqueles que estão na gestão da cidade e das gerações de moradores que passam por lá. A avenida, que já teve até bonde, é palco de grandes manifestações e, na década de 1960, começou a ganhar os altos prédios que até hoje são sua marca registrada. Nos últimos três anos, a via tem passado por mudanças, que incluem a democratização de suas calçadas, um novo perfil de empresários e, mais recentemente, uma ciclovia por toda sua extensão. Neste domingo (23), ganha, ainda, um mirante revitalizado. O R7 registra nas imagens a seguir essa nova cara da Paulista, que pode também virar uma grande passarela de pedestres aos domingos


















![Mas
não são só os empresários que veem a medida com desconfiança.
A
assistente de marketing Beatriz Cordeiro, de 20 anos, afirma que trabalha há
dois anos na avenida Paulista e que considera a medida extrema.
—
Aqui [na Paulista] tem muita gente inclusive de fim de semana. Não acredito que
as alamedas e ruas ao redor têm estrutura para receber todos os carros que
usariam a Paulista.
Na
contrapartida, outras pessoas ouvidas pela reportagem aprovam o projeto e
acreditam que ele pode deixar a cidade mais “humanizada”.
A
prefeitura defende que precisa haver uma ocupação das ruas pelas pessoas em
prol o lazer, que não deveria ficar restrito somente aos parques](https://newr7-r7-prod.web.arc-cdn.net/resizer/v2/7L5NWIGB5JOH5M2QBP7U2Q34TI.jpg?auth=49891ef641c48f930b93dab658006ac8fc3dabb591067f322f546b96f04f6fb8&width=1000&height=563)














