Logo R7.com
RecordPlus

Bolsões de crack tomam áreas nobres de SP

Em locais como Paulista, Consolação e praça Roosevelt, o consumo da droga é feito ao ar livre

São Paulo|Do R7

  • Google News
Segundo especialistas, políticas de combate às drogas do poder público ainda estão longe de alcançar o seu objetivo
Segundo especialistas, políticas de combate às drogas do poder público ainda estão longe de alcançar o seu objetivo WERTHER SANTANA/AE

Bolsões de usuários de drogas estão surgindo até mesmo em centros históricos e bairros nobres de São Paulo. Em locais como a avenida Paulista, a rua da Consolação e a praça Roosevelt, o consumo da droga é feito ao ar livre.

Na praça da Sé, onde estão localizados o Tribunal de Justiça de São Paulo e o quartel do Corpo de Bombeiros, a situação é crítica, como constatou a reportagem da Rádio Estadão.


Barracas improvisadas com saco de lixo servem de moradia e de abrigo para o consumo de drogas na Sé. Os comerciantes da região, que preferem não se identificar por questão de segurança, se queixam de abandono.

Leia mais notícias de São Paulo


Dependentes químicos que frequentam o local falam sobre as regras de convívio. Selma, de 43 anos, que é mãe de um bebê de cinco meses, vive de doações.

— Vou esperar a comunidade chegar para trazer umas cobertas, aí a gente dorme.


Para enfrentar o frio, Claudio, de 34 anos, utiliza o material que estiver mais próximo e não abre mão da cachaça.

— A gente se vira com o que tiver, plástico ou papelão. O importante é ficar acordado, por isso a gente bebe cachaça.


Também no Glicério, na Santa Efigênia e na Nova Luz, na região central, as "cracolândias" crescem diariamente. Em Santana, na zona norte, onde o consumo de crack ocorre ao ar livre, não é raro o registro de assaltos. Procurada, a Policia Militar de São Paulo não quis se pronunciar.

Combate

À Rádio Estadão, o prefeito Fernando Haddad (PT) garante que o combate às "minicracolândias" é feito.

— Fizemos várias ações de desmanche de instalações em praça pública, com muita efetividade, agora estamos incorporando a área da saúde, pois no caso do crack não se trata de um morador de rua usual, é uma pessoa que tem um problema adicional.

Na avaliação do psiquiatra Ronaldo Laranjeiras, coordenador do Projeto Recomeço (focado no atendimento a dependentes químicos), a situação deixa evidente que as políticas de combate às drogas do poder público ainda estão longe de alcançar o seu objetivo.

Laranjeiras classifica como "vergonhosa" a existência de cracolândias. Segundo ele, em "nossas fronteiras em relação a Bolívia, que é um dos maiores produtores de cocaína e exporta para o Brasil, não existe praticamente nenhum tipo de restrição. E qualquer um ficará ofendido em saber que numa cidade como São Paulo ainda exista algo chamado cracolândia."

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.