São Paulo Campo de Marte foi aeroporto com mais acidentes nos últimos 10 anos

Campo de Marte foi aeroporto com mais acidentes nos últimos 10 anos

Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos apontam que o Campo de Marte registra, em média, um acidente por ano

Campo de Marte

Em 2018, dois aviões já caíram na região do aeroporto

Em 2018, dois aviões já caíram na região do aeroporto

Divulgação/Prefeitura de São Paulo

A queda do avião minutos após decolar do Campo de Marte nesta sexta-feira (30) é mais uma para a lista do aeroporto com o maior número de acidentes nos últimos 10 anos, segundo relatório do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

Os números apresentados pelo órgão mostram que, entre 2008 e 2017, foram registrados 10 acidentes no aeroporto localizado na zona norte de São Paulo. Significa dizer que o Campo de Marte tem, na média, um acidente por ano.

Os dados do relatório ainda não contabilizam as duas ocorrências deste ano. A primeira delas, em junho, ocasionou em uma morte e seis pessoas feridas. Ontem, a queda causou duas mortes e feriu 19.

Na sequência da lista de acidentes aparecem o Aeroporto de Bragança Paulista, no interior de São Paulo, e o Aeródromo Nacional de Aviação, em Goiânia (GO). Ambos os locais registraram nove desastres entre 2008 e 2017.

Também localizado na capital paulista, o aeroporto de Congonhas, na zona sul da cidade, somou três acidentes no mesmo período, número 70% menor do que o registrado no Campo de Marte.

O Cenipa também contabilizou 91 incidentes e sete ocorrências de solo nos anos da análise no Campo de Marte. Entre os incidentes, a pista da capital fica atrás apenas dos aeroportos internacionais de Guarulhos (153) e Brasília (106) e do aeródromo de Belo Horizonte (103).

Desativação em 2020

No dia 7 de agosto de 2017, o então prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), estimou que em 2020 o aeroporto Campo de Marte seria desativado. A declaração foi dada após assinatura de um acordo com o presidente Michel Temer, que esteve na Prefeitura, para oficializar a cessão de parte do aeroporto para a municipalidade. A previsão é que no local seja construído um museu aeroespacial.

O Campo de Marte era objeto de disputa judicial entre Prefeitura de São Paulo e União desde 1958.  A área, porém, é motivo de contenda desde o século 18, quando jesuítas que controlavam o terreno foram expulsos do Brasil. As discussões se intensificaram em 1932, após a Revolução Constitucionalista.  O Campo de Marte era o centro de operações da Força Pública de São Paulo, mas com a derrota na revolução, a União tomou posse do imóvel.

O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) tentou durante quatro anos fechar um acordo com o governo federal, mas não obteve sucesso. O fim das operações aéreas no Campo de Marte era parte importante do projeto Arco para o Futuro.

Pelo acordo assinado entre Doria e Temer, a União cedeu 40 mil hectares de um total de 210 mil hectares do terreno. O acordo ainda tem mais duas etapas. Na segunda, o espaço cedido será usado para a construção de um complexo esportivo. A terceira fase inclui a desativação do aeroporto para aviação executiva, com os galpões das empresas sendo transformados em polo gastronômico.

*Com Agência Estado