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Carro achado com corpo queimado é de PM condenado por pedir propina

Família diz que policial militar está desaparecido desde sexta-feira (29)

São Paulo|Kaique Dalapola, do R7

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Carro encontrado queimado com corpo em Mauá
Carro encontrado queimado com corpo em Mauá

O carro encontrado com um corpo carbonizado em Mauá (Grande São Paulo), na manhã desta quarta-feira (3), é do policial militar João Gonçalves Farias Júnior, segundo a família.

Farias Júnior é soldado da corporação e está desaparecido desde a última sexta-feira (29).


“Possivelmente [o corpo] é do policial militar”, afirma o delegado do 3º DP de Mauá, Wagner Bordon Tavares. A identificação da vítima deve sair no prazo de um mês, com laudo do IML (Instituto Médico Legal)

Farias Júnior foi condenado em 1º de dezembro do ano passado pelo TJMSP (Tribunal de Justiça Militar de São Paulo) a três anos e quatro meses de reclusão em regime aberto. Ele teria praticado crime de concussão — quando o PM exige vantagem em razão da função que desempenha.


O soldado teria exigido, juntamente com o cabo João Batista Martins, R$ 1.000 de um motorista de caminhão para liberá-lo de abordagem na esquina da avenida Jacu-Pêssego com a rua Bento Vieira de Castro, em Itaquera (zona leste), no dia 14 de julho do ano passado.

De acordo com o processo do TJMSP, os policiais alegaram ao motorista do veículo que o caminhão não era apropriado para fazer o transporte de terra e estava em situação precária, por isso exigiram o valor “para deixar de adotar as medidas cabíveis”.


O motorista do caminhão teria ligado para o proprietário do veículo que, após negociar com o soldado Farias Júnior, aceitou pagar R$ 500 aos militares e acionou a Corregedoria da PM.

Ainda consta no processo que os policiais chegaram a sugerir uma mensalidade, no valor de R$ 3.000, a ser paga pelo dono do caminhão “para deixar de adotar as providências em fiscalizações futuras”.


A região onde aconteceu o crime pelo qual o PM foi condenado fica a 7 km do 24º DP (Ponte Rasa), no qual a família registrou o desaparecimento, menos de um mês depois.

Outro lado

A reportagem não conseguiu contato com o advogado Fábio Cunha Galves, que defendeu o PM. No processo do TJMSP, o advogado disse que “somente aceitou defender os réus aqui presentes sob a condição de que confessassem o crime”.

A defesa afirmou que os policiais “realizaram várias abordagens no local, todos arrolados em relatório e termo de vistoria, nada de obscuro foi feito”.

Ainda segundo Galves em juízo, quando os policiais pediram o dinheiro ao motorista do caminhão “ficou muito bem esclarecido que não ocorreu no intuito de deixar de adotar alguma providência”.

O R7 também entrou em contato com a família do PM Farias Júnior, que afirmou não querer falar com a imprensa sobre o caso.

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