Casa apontada como escritório do ex-vereador Milton Leite é furtada em São Paulo
Segundo a polícia, imóvel foi revirado e bandidos levaram documentos e HDs das câmeras do local
São Paulo|Do R7, com Agência RECORD e Estadão Conteúdo
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Uma casa localizada no bairro de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, que, segundo documentos apreendidos pela Polícia Militar, pertence ao ex-vereador Milton Leite foi invadida por ladrões na noite deste domingo (20).
Em nota, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) afirmou que a PM (Polícia Militar) foi acionada por uma vizinha e, no local, constatou danos no portão da garagem e sinais de desordem dentro do imóvel.
Policiais militares encontraram a casa revirada e, no local, diversos documentos que identificaram o proprietário como o ex-vereador.
Veja Também
Segundo a polícia, a casa seria usada como uma espécie de escritório pelo político.
No imóvel, de acordo com a SSP-SP, os policiais apreenderam cartões bancários, documentos e uma quantia em dinheiro.
Segundo informações do repórter Carlos Cavalcante, da RECORD, os suspeitos estavam em um carro branco e levaram documentos e HDs das câmeras.
A polícia investiga o caso e busca agora imagens e mais informações. Uma perícia foi pedida e o local seguirá preservado.
Vereador foi preso suspeito de ligação com PCC
O ex-vereador se entregou à polícia na tarde de sexta-feira (18). Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), ele se apresentou na Dise de Mogi das Cruzes por volta das 15h30.
No sábado (19), a Justiça de São Paulo manteve a prisão de Leite, que é alvo de investigação sobre o elo entre empresas de ônibus e o PCC (Primeiro Comando da Capital). Ele é alvo de um mandado de prisão temporária, com duração de 30 dias.
O ex-vereador passou por audiência de custódia na tarde de sábado. Trata-se de um depoimento à Justiça para constatar se o preso foi alvo de violações no momento de sua detenção.
O ex-vereador teve pico de pressão alta pouco antes da audiência de custódia e foi atendido no próprio fórum. A audiência seguiu após o atendimento médico.
Investigação desde 2024
Milton foi alvo, na quinta-feira (17), de uma operação denominada Vectura Corrupta, que envolveu a Polícia Civil de São Paulo e o MP-SP (Ministério Público de São Paulo).
A ação de quinta-feira foi um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas operado pelo PCC.
Na época, a investigação revelou uma complexa rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes da “Sintonia Restrita” e da “Sintonia dos Gravatas”, além de projetos para lançar faccionados como candidatos nas eleições municipais.
A Justiça autorizou o mandado de prisão temporária contra Leite sob a justificativa de que ele é “citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC”.
“Somado a isso, há declarações de policiais militares, em procedimento que tramita no Tribunal de Justiça Militar, de que ele seria o dono de fato da empresa Transwolff”, disse o desembargador Sergio Ribas em sua decisão.
Lavagem de dinheiro para o PCC
A Transwolff é uma empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do MP-SP, em 2024. A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção.
A defesa da Transwolff afirmou que Leite nunca teve participação societária na empresa, nem atuou na gestão ou deu ordens a funcionários. Segundo os advogados, qualquer afirmação nesse sentido é equivocada e não corresponde à realidade.
Após a operação, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou ter “muito respeito pela história” de Leite, mas disse que ele terá de demonstrar sua inocência.
Operação Vectura Corrupta
Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Segundo a polícia, além do ex-vereador, um ex-servidor da Prefeitura de São Paulo, que atuava na SPTrans, um candidato a deputado estadual e três advogados tiveram suas prisões decretadas.
A polícia não informou os nomes dos envolvidos na ação, mas, de acordo com o “Balanço Geral Manhã”, os outros investigados da operação seriam Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SP Trans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura da Praia Grande (SP) e atual candidato a deputado estadual.
Quem é Milton Leite
Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Mesmo sem mandato, continuou atuando e tendo influência na política.
Em 2025, participou de articulações internas do União Brasil na capital e, no ano seguinte, assumiu a presidência estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.
A trajetória política de Leite começou na zona sul de São Paulo, onde cresceu, na região de Piraporinha. Foi eleito vereador pela primeira vez em 1996, para assumir o mandato no ano seguinte, e conseguiu seis reeleições consecutivas, permanecendo na Casa até 2024.
Na presidência da Câmara, comandou o Legislativo em 2017 e 2018 e, novamente, de 2021 a 2024. Nesse período, também assumiu interinamente a Prefeitura de São Paulo em diferentes ocasiões.
Ao deixar o cargo de vereador, passou a atuar nos bastidores da política municipal e estadual.
Para as eleições de 2026, o ex-vereador tem apoiado a atuação política da família. Alexandre Leite e Milton Leite Filho buscam vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, respectivamente.
Leite afirmou ser inocente das acusações contra ele após se entregar à polícia na tarde de sexta-feira.
“Eu sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na Justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo que foi dito”, afirmou Leite na delegacia. Ele disse ainda que seus advogados poderão contestar as acusações e que aguardará as decisões judiciais.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp



















