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Ex-vereador Milton Leite se entrega à polícia em São Paulo

Ex-presidente da Câmara Municipal é suspeito de participar de esquema que envolve a atuação do PCC no transporte público

São Paulo|Do R7, com Agência RECORD e Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, se entregou à polícia em São Paulo, sendo investigado por suspeita de envolvimento com o PCC no transporte público.
  • Leite é alvo da Operação Dercário, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e sua ligação com a empresa de ônibus Transwolff.
  • A Justiça autorizou sua prisão temporária, citando-o como responsável direto por operações de empresas controladas pelo PCC.
  • Além de Leite, outras prisões foram decretadas, incluindo um ex-servidor da Prefeitura de São Paulo e um candidato a deputado estadual.

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Leite foi vereador por sete mandatos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos Instagram/@miltonleite.sp - 27.01.2025

O ex-vereador Milton Leite (União Brasil) se entregou à polícia na tarde desta sexta-feira (18). Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), ele se apresentou na Dise de Mogi das Cruzes por volta das 15h30. Mais cedo, a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) encontraram uma “passagem secreta” na casa do político em Sorocaba, no interior paulista.

Investigação desde 2024

A ação de quinta-feira (17) é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas operado pelo PCC.

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Na época, a investigação revelou uma complexa rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes da “Sintonia Restrita” e da “Sintonia dos Gravatas”, além de projetos para lançar faccionados como candidatos nas eleições municipais.

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A Justiça autorizou o mandado de prisão temporária contra Leite sob a justificativa de que ele é “citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC”.

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“Somado a isso, há declarações de policiais militares, em procedimento que tramita no Tribunal de Justiça Militar, de que ele seria o dono de fato da empresa Transwolff”, disse o desembargador Sergio Ribas em sua decisão.

Lavagem de dinheiro para o PCC

A Transwolff é uma empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do MP-SP, em 2024. A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção.

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A defesa da Transwolff afirmou que Leite nunca teve participação societária na empresa, nem atuou na gestão ou deu ordens a funcionários. Segundo os advogados, qualquer afirmação nesse sentido é equivocada e não corresponde à realidade.

Após a operação, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou ter “muito respeito pela história” de Leite, mas disse que ele terá de demonstrar sua inocência.

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“Tenho muito respeito pela história, pela trajetória do ex-presidente da Câmara, Milton Leite, vereador por mais de 20 anos, mas obviamente vai competir a ele demonstrar ou não a sua inocência dentro desse processo, que vai ter, por parte da Prefeitura, todo o apoio às investigações”, afirmou o prefeito.

Operação Vectura Corrupta

A ação, denominada Operação Vectura Corrupta, envolve a Polícia Civil de São Paulo e o MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

Ao todo, são cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Segundo a polícia, além do ex-vereador, um ex-servidor da Prefeitura de São Paulo, que atuava na SPTrans, um candidato a deputado estadual e três advogados tiveram suas prisões decretadas.

A polícia não informou os nomes dos envolvidos na ação, mas, de acordo com o “Balanço Geral Manhã”, os outros investigados da operação seriam Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SP Trans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura da Praia Grande (SP) e atual candidato a deputado estadual.

Quem é Milton Leite

Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Mesmo sem mandato, continuou atuando e tendo influência na política.

Em 2025, participou de articulações internas do União Brasil na capital e, no ano seguinte, assumiu a presidência estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.

A trajetória política de Leite começou na zona sul de São Paulo, onde cresceu, na região de Piraporinha. Foi eleito vereador pela primeira vez em 1996, para assumir o mandato no ano seguinte, e conseguiu seis reeleições consecutivas, permanecendo na Casa até 2024.

Na presidência da Câmara, comandou o Legislativo em 2017 e 2018 e, novamente, de 2021 a 2024. Nesse período, também assumiu interinamente a Prefeitura de São Paulo em diferentes ocasiões.

Ao deixar o cargo de vereador, passou a atuar nos bastidores da política municipal e estadual.

Para as eleições de 2026, o ex-vereador tem apoiado a atuação política da família. Alexandre Leite e Milton Leite Filho buscam vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, respectivamente.

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