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Casas noturnas de SP apostam em esquemas alternativos de segurança para reduzir furtos a clientes

Revista extra e seguranças à paisana são algumas das medidas adotadas pelos proprietários

São Paulo|Fernando Mellis, do R7

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Casas noturnas são responsabilizadas por furtos apenas quando os objetos estão na chapelaria, explica o advogado José de Oliveira
Casas noturnas são responsabilizadas por furtos apenas quando os objetos estão na chapelaria, explica o advogado José de Oliveira

Relatos de furtos dentro de casas noturnas da capital paulista têm se tornado cada vez mais comuns. O clima de descontração do ambiente facilita a ação de ladrões, que miram principalmente smartphones. Apesar de os estabelecimentos não serem responsabilizados por furtos, muitos têm investido em esquemas alternativos de segurança para evitar ficar com imagem negativa para os clientes.

A alternativa encontrada pela The Week, que fica zona oeste da cidade, altera até mesmo a dinâmica da casa. Além da tradicional revista da entrada, os frequentadores passam por uma vistoria ao deixarem o local. Os seguranças chegam a solicitar que os celulares sejam desbloqueados para comprovação de que pertencem mesmo ao cliente.


Já a casa sertaneja Wood’s, na zona sul da capital, apostou em seguranças à paisana para identificar os ladrões. Segundo Rafael Setrak, sócio do estabelecimento, além da medida, cerca de 50 câmeras foram instaladas nos espaços internos da balada.

— Em uma noite, começaram a vir reclamações. A gente colocou todos os seguranças na pista, dois deles à paisana. E pegamos no ato [...] No dia do julgamento dessas pessoas, os clientes que foram furtados não compareceram ao fórum e eles foram liberados.


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Ele conta ainda que, normalmente, os bandidos não agem sós. Segundo Setrak, o alvo são pessoas que estão alcoolizadas, distraídas no meio da aglomeração. Para evitar que os clientes — principalmente as mulheres — deixem os pertencem nas mesas e sofás dos camarotes, uma funcionária fica responsável por alertá-los e oferecer o serviço de chapelaria, que custa R$ 10.


Seguranças à paisana e câmeras de segurança também foram as alternativas adotadas pela casa noturna D.Edge, que fica na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Na entrada, os frequentadores são lembrados de que o estabelecimento não se responsabiliza por objetos perdidos ou furtados e recomenda o uso da chapelaria.

A relações públicas Cristina Bazzo conta, no entanto, que o aviso não foi suficiente para deixá-la consciente do risco. Ela afirma que não viu a placa e não imaginava que algo desse tipo pudesse acontecer com ela.


— Quando eu percebi que minha bolsa estava aberta e eu estava sem celular fui falar com um segurança. Depois, o gerente me disse que infelizmente isso acontece, que eles não têm como se responsabilizar por objetos furtados, que existe uma chapelaria e que se a bolsa estivesse lá, aí sim ele se responsabilizaria.

Responsabilidade

Cristina disse que procurou o Procon e fez uma queixa contra o estabelecimento. No entanto, o advogado especialista em direito das relações de consumo, José Eduardo Tavolieri de Oliveira, explica que, no caso dela, o Código de Defesa do Consumidor não se aplica.

Segundo ele, a única exceção, nesse caso, seria se o celular estivesse na chapelaria. Em uma situação de arrastão, a responsabilidade poderia ser questionada.

— Quando um consumidor se dirige a alguma casa noturna, ele deve ter algumas cautelas para que não haja nenhuma situação desagradável desse tipo, sob pena de ele arcar com os prejuízos que ele sofreu. [...] Dificilmente o cliente processar o estabelecimento resolveria qualquer coisa.

O diretor jurídico da Abrasel (Associação Brasileiras de Bares e Restaurantes), Percival Maricato, explica que a entidade orienta as casas noturnas a oferecerem chapelaria, mas reforça que o principal responsável pelos seus bens é o cliente.

— Os estabelecimentos não podem se responsabilizar por um problema tão comum. Isso acontece a toda hora, em ônibus, no supermercado, em shopping, na rua [... ] Nós estamos em uma sociedade na qual as pessoas têm que ter o mínimo de cuidado com os objetos que usam, com as coisas que andam.

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