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Caso Guilherme: 2 meses depois, ex-PM suspeito ainda está foragido 

Ex-policial Gilberto Rodrigues fugiu da prisão em 2015, após ser condenado por participar de uma chacina. Ele é investigado por outras 49 mortes

São Paulo|Gabriel Croquer*, do R7

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Polícia divulgou foto de Gilberto, à esquerda,
para encontrar o ex-PM
Polícia divulgou foto de Gilberto, à esquerda, para encontrar o ex-PM

Na madrugada do dia 14 de junho, o adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, saía pela última vez com vida de sua casa no bairro de Americanópolis, zona sul de São Paulo. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, nas horas seguintes, o jovem seria torturado e executado por dois policiais militares, que buscavam se vingar de um assalto ocorrido na região dias antes.

Leia mais: Caso Guilherme: MP denuncia PMs por execução do adolescente


O corpo foi reconhecido por familiares na manhã de segunda-feira, 15 de junho. Há exatos dois meses. 

O sargento da PM, Adriano Fernandes de Campos, e o ex-policial militar, Gilberto Eric Rodrigues, são apontados como os responsáveis pela execução. São eles que aparecem nas imagens gravadas por câmeras de segurança,pouco antes da morte do Guilherme, ainda de acordo com as investigações. A polícia pediu a prisão preventiva deles, enquanto o MP já denunciou formalmente os militares.


Porém, enquanto o sargento Adriano foi preso quatro dias após o crime, o ex-PM Gilberto ainda está foragido, situação que vive desde 2015. Na época em que fugiu, ele estava detido no presídio Romão Gomes, condenado por uma chacina ocorrida em 2013, que provocou a morte de sete pessoas na periferia da zona de sul de São Paulo. 

Foragido é investigado por outras mortes

Após a identificação de Rodrigues como um dos autores da execução de Guilherme, a Polícia Civil de São Paulo voltou a investigar outras 49 mortes ocorridas em 2012 e 2013, na área onde o então soldado atuava, na zona sul da capital paulista.


As investigações o apontam como culpado de pelo menos outra execução sumária, que teria acontecido um dia antes da chacina do Jardim Rosana, no dia 3 de janeiro de 2013. "Ele abordou um indivíduo na rua, perguntou se ele tinha passagem criminal e ele disse que tinha, por roubo. Ele [Gilberto] mandou girar e deu um tiro na nuca dele", afirmou ao R7 o delegado Marcelo Jacobucci, do DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa). 

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A localidade das mortes e as características, com sinais de execução, serviram como critério para a Polícia Civil compilar os casos de violência do então policial que podem ter passado desapercebidos. Foram casos que não geraram protestos em barricadas, passeatas pacíficas ou destruição de ônibus, como ocorreu nos dias após a morte de Guilherme Silva Guedes. 


A polícia ainda não encontrou outros crimes similares dos quais o sargento Adriano participava. Segundo o advogado do sargento, Renato Soares do Nascimento, ele é inocente também na morte de Guilherme. "Iremos provar que ele não foi sequer ao local onde a vítima foi morta", disse.

Os dois militares trabalhavam juntos em uma empresa de segurança, com Gilberto utilizando um nome diferente. Ele foi identificado pela investigação após suas impressões digitais serem encontradas no banco de trás do veículo que teria sido usado no crime. Para a polícia, Rodrigues segurava o adolescente no banco traseiro, enquanto o sargento Adriano dirigia o veículo.

Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, morreu com dois tiros: um na nuca e outro no rosto. A polícia acredita que ele foi executado com o tiro na nuca e, quando caiu, foi baleado no rosto com o que chamam de "tiro de misericórdia".

Guilherme não tinha passagem pela polícia.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Clarice Sá 

*Com informações de de Elizabeth Matravolgyi, da Agência Record

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