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Cerca de 2.000 sem-teto seguem em direção ao Itaquerão

Grupo protesta contra os gastos públicos do Mundial e reivindica moradia

São Paulo|Da Agência Brasil

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Concentração de integrantes do MTST na ocupação batizada de "Copa do Povo" em Itaquera, zona leste da capital
Concentração de integrantes do MTST na ocupação batizada de "Copa do Povo" em Itaquera, zona leste da capital

Cerca de 2.000 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, seguem em direção ao estádio do Corinthians, que sediará a abertura da Copa do Mundo de 2014. Eles protestam contra os gastos públicos do Mundial e reivindicam moradia.

Os manifestantes saíram em caminhada às 8h da ocupação Copa do Povo em Itaquera. A área ocupada pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) fica a 4 quilômetros do estádio do Corinthians.


O ato faz parte de uma série de mobilizações que ocorrem nesta quinta-feira (15) nas cidades-sede do evento. O movimento estima que 4 mil pessoas participam do protesto.

“Queremos mostrar a contradição que é gastar bilhões com esse evento, quando o povo precisa mesmo é de moradia e tantos outros direitos”, explicou Maria das Dores Cerqueira, uma das coordenadoras do movimento. A ocupação Copa do Povo começou no dia 3 e já reúne cerca de 4 mil famílias, segundo a organização.


Integrantes de ocupações do MTST fazem manifestações em outros pontos da cidade. Os sem-teto da Nova Palestina e Dona Deda protestam na Marginal Pinheiros, próximo à Ponte João Dias; os da Faixa de Gaza e Capadócia manifestam na Giovanni Gronchi, próximo ao Shopping Jardim Sul; e os da Anchieta Grajaú fazem um ato na Ponte do Socorro. Os três atos ocorrem na zona sul. Na zona norte, integrantes do MTST da Ocupação Estaiadinha ocupam a pistas da Marginal Tietê, próximo à Ponte Estaiadinha.

Além das atividades convocadas pelo MTST, o Comitê Popular da Copa — formado por organizações como o MPL (Movimento Passe Livre) — faz um ato a partir das 17h, com concentração na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista.


A especulação imobiliária na região onde foi construído o Itaquerão, como é conhecido o estádio da Copa, foi um dos motivos que levaram a auxiliar de limpeza Luciana Perisse, 38 anos, a aderir à ocupação.

— A gente já mora longe e agora nem aqui a gente pode morar mais.


Itaquera fica no extremo leste da capital. Segundo ela, um aluguel de dois cômodos mais que dobrou depois que os jogos foram anunciados.

— Estamos pagando R$ 500, R$ 600, e já tem gente sendo despejada, porque os donos aumentam e a pessoa fica sem pagar dois meses e é expulsa.

Na semana passada, movimento sociais, que formam o coletivo Resistência Urbana, iniciaram uma série de manifestações que devem ocorrer até a Copa do Mundo. A concentração dos protestos ocorreram simultaneamente em três pontos da capital paulista. O alvo foram grandes construtoras que receberam recursos para construção e reforma dos estádios.

O movimento foi recebido pela presidenta Dilma Roussef, que fazia uma visita ao Itaquerão naquele dia. Ela prometeu estudar a possibilidade de construir moradias no terreno da ocupação Copa do Povo.

A manifestação faz parte da campanha “Copa sem Povo, tô na Rua de Novo”. As reivindicações do movimento são divididas em seis eixos, em referência à busca pelo hexacampeonato da seleção brasileira de futebol. No eixo moradia, eles pedem leis para o controle do valor dos aluguéis, a formação de uma Comissão Nacional de Prevenção de Despejos Forçados e mudanças no Programa Minha Casa, Minha Vida.

Na área da saúde, os movimentos querem o fim dos subsídios aos planos de saúde, o fim das privatizações e 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para o sistema público.

No transporte, pedem-se a redução imediata das tarifas, a criação de um fundo federal para redução anual do valor das passagens e tarifa zero com controle público. Para a educação, as reivindicações são a ampliação e construção imediata de creches, 10% do PIB para o sistema público e que a política de cotas e assistência estudantil seja permanente.

No âmbito da Justiça, eles querem a formação de uma Comissão Nacional da Violência do Estado contra a Periferia, a desmilitarização da Polícia Militar e o fim dos tribunais especiais e leis antimanifestação.

Por fim, no eixo relacionado à soberania, eles pedem a garantia do trabalho informal durante a copa, a prevenção efetiva da exploração sexual e o pagamento de pensão vitalícia para as famílias dos operários mortos e feridos durante as obras da copa.

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