Cerca de 30 pessoas são detidas em ação na Cracolândia
Operação "surpresa" do Denarc no centro de São Paulo terminou em confusão
São Paulo|Da Agência Brasil

Em uma ação isolada, a Polícia Civil de São Paulo deteve cerca de 30 pessoas nesta quinta-feira (23) na região conhecida como Cracolândia no centro da capital paulista. Dessas, quatro são suspeitas de tráfico de drogas. As demais foram detidas "para averiguação", segundo a diretora do Denarc (Departamento de Investigação e Repressão contra o Narcotráfico), Elaine Biasoli, que determinou a ação dos policiais.
De acordo com Elaine, a investida da polícia não foi comunicada à prefeitura — que faz um programa que acolhe dependentes químicos na região — e nem à Polícia Militar — que tem um posto policial na área — por se tratar de uma "ação penal pública incondicional". Ela também disse que não conversou com o secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella.
— É uma ação penal pública incondicional. Onde tem tráfico, às vezes, não dá tempo de avisar ninguém. Então não é uma operação orquestrada, é uma ação de área do Denarc. E vai continuar [acontecendo], onde tiver tráfico o Denarc vai. Foi uma ação dentro da legalidade.
Elaine não soube informar a quantidade de droga apreendida. Ela não soube precisar, também, o número exato de presos e detidos. Disse apenas, que foi "cerca de 30".
Segundo a diretora, os policiais, com viatura descaracterizada e à paisana, foram à Cracolândia para prender um traficante. No entanto, foram recebidos com agressão.
— Os policiais foram recebidos a pauladas, quebraram a viatura, feriram o policial, e aí foi pedido reforço. E nós mandamos o reforço para poder concretizar a prisão.
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O reforço teve oito viaturas da Polícia Civil e 24 policiais. Eles portavam armamentos antimotim, como bombas de efeito moral, e não tinham munição letal. Quando chegaram, efetuaram as prisões e as detenções.
A diretora disse que o procedimento adotado é corriqueiro e não será revisto. Ela informou que já prendeu 65 suspeitos de tráfico de drogas na Cracolândia em ações similares.
— O programa da prefeitura eu não conheço a fundo, deve ser mais social. O meu problema é policial.
Alana Novais compareceu à delegacia à procura do marido, José Américo Gomes de Novais, um dos detidos na ação. Segundo ela, Américo estava na Cracolândia fazendo compras e foi preso porque filmou a ação da polícia.
— Ele começou a filmar a polícia batendo em 'noia' [viciado em crack] e foi detido.
A prisão, segundo ela, ocorreu no largo Coração de Jesus.













