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Ciclistas ganham serviço próprio de valet e outros mimos em São Paulo  

Aumento do número de ciclofaixas contribui para o surgimento de novos negócios na capital 

São Paulo|Caroline Apple, do R7

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Ciclista fazendo entrega pela cidade
Ciclista fazendo entrega pela cidade

A disseminação da cultura da bicicleta em São Paulo tem refletido diretamente na criação e na ampliação de novos negócios do segmento de bikes em São Paulo. É o caso de serviços como entregas feitas por ciclistas, valet próprio, mecânica especializada e produção de alforjes (bolsas e mochilas adaptadas para bicicletas).

Quem busca uma forma alternativa para entregar encomendas e documentos de forma ecológica pode optar por contratar o serviço de entregas de bike. É o caso da Ecolivery Courrieros, que conta com 26 ciclistas para atender à cidade.


De acordo com Victor Castello Branco, de 25 anos, um dos sócios da empresa, o conceito ecológico e o preço competitivo (o serviço custa entre R$ 17 e R$ 40, dependendo do trajeto) têm ajudado o negócio a crescer. Entretanto, o empresário concorda que o crescimento da visibilidade do modal também é um dos fatores que contribui para o aumento do número de entregas.

— Apesar de usarmos apenas 2% de ciclofaixas durante as entregas, a priorização das bikes tem ajudado a dar destaque ao nosso trabalho. Em 2012, tínhamos no quadro de funcionários quatro ciclistas. Fecharemos este ano com 26. A tendência é que até o final de 2015 esse número dobre.


Branco explica que o pouco uso das ciclofaixas se deve à abrangência do atendimento pela cidade e que, mesmo a iniciativa sendo importante, ainda não é suficiente para manter a segurança dos ciclistas.

— Precisamos que os motoristas se conscientizem. Ainda acontecem muitas fechadas no trânsito e falta de educação no geral, mas, mesmo assim, nós que trabalhamos o tempo todo com a bicicleta notamos que a educação no trânsito melhorou muito.


Oficina mecânica de bikes do Las Magrelas
Oficina mecânica de bikes do Las Magrelas

Para ajudar os ciclistas urbanos a resolverem os problemas mecânicos das bicicletas, o bar/oficina Las Magrelas, em Pinheiros (zona oeste), oferece serviços que vão desde a troca de pneus até revisões gerais. Além disso, o local oferece também um cardápio elaborado por um chef convidado.

Criado em fevereiro de 2013, o bar/oficina, formulado por clicloativistas, tem o horário de funcionamento que casa com o tempo do ciclista da cidade, que trabalha e estuda. Uma das sócias, a empresária Talita Oliveira Noguchi, explica que é importante que o local promova o uso da bicicleta por meio de um atendimento que dê suporte aos ciclistas.


— Do meio dia às 22h, oferecemos o serviço de mecânica. A partir das 16h, também é possível tomar uma cerveja e comer um prato diferente. São esses os horários que as pessoas precisam ser atendidas sem comprometer a rotina de trabalho e de estudos.

Outro serviço que surgiu com o aumento do uso da bicicleta foi o de valet especializado. A Ciclomidia, empresa “queridinha” de bares e restaurantes de São Paulo na hora de contratar o serviço de instalação de paraciclos, além de ter notado um aumento médio de 10% ao ano nas solicitações, desde 2011, também oferece como diferencial o estacionamento para atender os ciclistas em eventos.

O empresário Eduardo Grigoletto, de 41 anos, conta que a empresa é contratada por organizadores de eventos para acomodar de forma segura as magrelas dos convidados.

— É uma estrutura móvel que levamos para qualquer lugar. No local, os ciclistas param a bicicleta com a certeza dela estar lá quando voltar.

Bolsa de bikes

É com o sentimento de gratidão que a empresária Priscila Moreno, de 32 anos, fala da bicicleta em sua vida. Em especial porque a bike se tornou, além de uma prática diária, o sustento da sua família. Priscila é dona da marca Alforjaria, que faz alforjes (bolsas adaptadas para bicicletas) exclusivos de forma artesanal.

Priscila mostra seus alforjes feitos manualmente
Priscila mostra seus alforjes feitos manualmente

Priscila conta que o primeiro modelo foi feito para satisfazer a necessidade pessoal, mas sempre era questionada por outros ciclistas sobre onde ela havia comprado a peça.

— Foi quando decidi fazer e vender os alforjes. Oficializei a empresa em 2011 e, desde então, perdi as contas de contas peças eu fiz.

Cada alforje é feito de forma manual e custa entre R$ 80, uma bolsa pequena de guidão, até R$ 359,90, um alforje grande e impermeável.

Priscila confessa que seu faturamento aumentou nos últimos meses com a publicidade em torno da bicicleta, mas, para ela, o mais importante é a melhoria na sensação de segurança ao andar de bicicleta pela capital.

— Quando eu saía de bike há alguns anos as pessoas me diziam: vai pedalar no parque! Tá pensando que tá na Europa? Eu respondia: Copenhagen é aqui! Mas nunca imaginei que veria ciclovias espalhadas pela cidade tão cedo. Me anima também o número de mulheres que viraram adeptas da bicicleta.

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