Com 200 mortes em pouco mais de um mês, SP vive fim de ano em insegurança
Capital paulista vive tensão com onda de violência, dizem especialistas
São Paulo|Vanessa Beltrão, do R7

Já passa de 200 o número de mortes na capital desde o dia 1º de outubro. Esta semana, entre a noite de quinta-feira (8) e a madrugada de sexta-feira (9), São Paulo viveu a noite mais violenta desde o início desta nova onda de ataques. Ao todo, 22 pessoas foram baleadas em um período de cerca de cinco horas, dessas, 15 morreram e outras nove ficaram feridas.
Na noite da última sexta-feira, surgiram novos boatos sobre um possível toque de recolher, desta vez em Cidade Dutra, zona sul da cidade. Nada foi comprovado, mas uma escola da região cancelou uma atividade que aconteceria à noite, embora tenha confirmado que as aulas não foram suspensas. A escola é próxima do local onde um ônibus foi incendiado na noite da última quinta-feira (8).
Especialistas ouvidos pelo R7 afirmam que existe um sentimento de insegurança que envolve a cidade. Apesar do problema não ser novo, o cientista criminal Luis Flávio Gomes acredita que com os ataques em São Paulo, a situação é mais grave.
— A gente sente que o Estado não está conseguindo conter a criminalidade.
O ex-secretário nacional de segurança pública, e atual professor do Centro de Autos Estudos de Segurança da PM, José Vicente da Silva, concorda que as pessoas estão se sentindo mais inseguras. Mas coloca parte da culpa pelo clima de medo na imprensa, e não nos homicídios que estão ocorrendo.
— A sensação de insegurança não tem uma vinculação tão direta e clara com a incidência criminal, mas sim pela maneira como a mídia coloca isso.
Para ele, o que ocorre é um bombardeio sistemático de informações sobre os fatos, e a forma como são veiculados os casos pode intimidar a população.
Insegurança regional
Para a coordenadora do Núcleo de Análise de Dados do Instituto Sou da Paz, Ligia Rechenberg, a sensação de insegurança é regionalizada.
— Quem vive na periferia está mais preocupado devido a uma atuação mais enérgica da policia por causa dos boatos de toque de recolher.
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Na tentativa de conter a violência, as polícias Civil e Militar desencadearam a Operação Saturação que realiza ações permanentes em locais com maior registro de violência no Estado. Mais de 65 pessoas já foram presas na Capital paulista e em Guarulhos, na região metropolitana.
Além disso, uma parceria entre os governos estadual e federal foi estabelecida. Dentre as medidas tomadas estão o envio a presídios federais de criminosos que atentaram contra agentes de segurança em São Paulo e a criação de uma agência para integrar setores de inteligência.
As inciativas foram criticas pelo cientista criminal Luis Flávio Gomes.
— A operação saturação é feita no desespero e só produz eficácia por um momento muito rápido e só localizado, não vai na causa do delito, não apura delinquência.
Em meio a essas ações, o governo descartou a ajuda do exército. Uma decisão acertada na visão dos especialistas. Ex-secretário de segurança nacional, José Vicente defende que as forças militares são necessárias apenas em três situações: desorganização da segurança, retomada de territórios que estão nas mãos dos criminosos e o controle de locais dominado pelo crime.
— Não temos nenhuma comunidade que necessite ser tomada por tropas federais por incapacidade de recursos do Estado.
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