Começa hoje novo julgamento de cirurgião plástico que matou paciente dentro do consultório
Primeiro júri de Farah Jorge Farah foi anulado; crime aconteceu há mais de dez anos
São Paulo|Do R7, com Balanço Geral

O julgamento do ex-cirurgião plástico Farah Jorge Farah, que matou uma paciente dentro do consultório, começa na manhã desta segunda-feira (10), no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. O crime aconteceu há mais de dez anos. Este é o segundo julgamento do réu, o primeiro foi anulado.
O ex-cirugião matou Maria do Carmo Alves, na época com 46 anos. A Justiça convocou oito testemunhas de acusação, oito de defesa, peritos, psiquiatras, que vão falar da investigação do caso e, principalmente, traçar um perfil do acusado.
O crime aconteceu em janeiro de 2003. O então cirurgião plástico matou Maria do Carmo dentro do consultório e depois esquartejou o corpo da vítima. Farah Jorge Farah passou o final de semana numa clínica psquiátrica e, no domingo, telefonou para a sobrinha, para que ela abrisse o porta-malas do carro dele, estacionado na garagem do predio onde morava. O corpo de Maria do Carmo estava lá, dividido em sacolas plasticas.
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Farah nunca negou a autoria do crime. O ex-médico alegou legítima defesa, dizendo que Maria do carmo o atacou com uma faca. Ela ainda disse que era amante da vítima. Na versão dele, Maria do Carmo, que era casada, não aceitava o fim do relacionamento entre os dois. Mas a polícia teve acesso às ligações telefônicas entre médico e paciente e descobriu que Maria do Carmo pressionava Farah porque queria uma reparação depois de ter ficado insatisfeita com o resultado de uma cirurgia.
A polícia nunca encontrou algo que comprovasse um caso amoroso entre os dois. Farah passou quatro anos detido, até conseguir o direito de responder ao processo em liberdade. Ele foi julgado em abril de 2008 e condenado a 12 anos de prisao pelo homicidio e mais um ano pela ocultaão de cadáver. No primeiro juri, a defesa alegou que o ex-cirurgião agiu sob violenta emoção e apresentou um laudo oficial que apontou que, no momento do crime, Farah estava em estado semi-imputável, ou seja, não entendia totalmente a conduta criminosa.
Para a acusação, é exatamente o contrário: o ex-médico tinha plena consciência do ato. Depois de vários recursos, a defesa conseguiu anular o primeiro julgamento, alegando que os jurados ignoraram o laudo oficial.
Agora, o crime de ocultação de cadáver já prescreveu. Por isso, Farah Jorge Farah será julgado por homicídio duplamente qualificado. O julgamento, que deve durar quatro dias, já foi desmarcado algumas vezes. Desta Vez, vai acontecer mesmo sem a presença do ex-médico.
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Farah Jorge Farah mora na Vila Mariana, bairro da zona sul de São Paulo, distante do antigo consultório. Sem poder execer a medicina porque teve o registro cassado, o ex-cirurgião, de 64 anos, estuda. Se formou em direito, e agora cursa faculdade de Saúde Pública.












