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Conheça a história de Estela, a mulher que resolveu deixar as drogas após 36 anos de Cracolândia

"Em meio a tantos problemas, aprendi a ter raiva, aprendi a amar", conta em entrevista ao R7

São Paulo|Daia Oliver, do R7

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Estela fugiu de casa aos 11 anos porque era abusada pelo padrasto
Estela fugiu de casa aos 11 anos porque era abusada pelo padrasto

Só quem já viveu na rua sabe contar as inúmeras dificuldades que é preciso enfrentar para sobreviver nessa condição. Estela Maris dos Santos chegou à Cracolândia aos 11 anos, quando fugiu de casa para deixar de ser estuprada pelo padrasto e pelo irmão mais velho.

O paradeiro da menina foi as ruas do bairro do Triunfo, na região da Luz. Em pouco tempo, ela foi aliciada e passou a vender drogas para sobreviver. Certa vez, Estela levou uma batida da polícia feminina e, com a chacoalhada, dois papelotes caíram no chão. Ela foi levada para averiguação.


— A policial apresentou a droga na delegacia, mas o dinheiro sumiu. E era dinheiro, viu.

De volta às ruas, e agora com uma dívida alta com um traficante, a menina resolveu fazer seu o primeiro assalto para não ser morta. Ela ficou nervosa durante a ação, acabou sendo agredida com um soco pela refém e se entregou à polícia.


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O assalto frustrado lhe rendeu uma pena de quatro anos de detenção. Já na prisão, foi obrigada a participar de uma rebelião — quem se recusa a participar é acusado de “correndo pros home” —, que prolongou sua estadia para sete anos.

Estela teve dois filhos e não os criou. Por conta do tráfico, preferiu não envolver as crianças com a vida que levava.


— Comecei a usar droga com 35 anos, depois que saí da prisão. Até então, só vendia.

Em liberdade, passou a falsificar perfume, shampoo e condicionador para sustentar o vício.

— Passei por mais de 20 clínicas de reabilitação.

Em uma das internações, em Campos de Goitacás (RJ), Estela aprendeu a tocar violão e encontrou uma saída para mudar de vida.

— Dessa vez, estou firme na decisão. Tirei meus documentos e quero arrumar um emprego. Há quatro dias não uso nada. Tô limpa.

A ex-moradora da Cracolândia hoje pensa em outra vida para ela. Tirou carteira de trabalho, novos documentos e se prepara para ir a uma entrevista de trabalho em uma cafeteria na zona sul da cidade.

— Meu sonho é arrumar meus dentes, comprar um violão e entrar no conservatório Tom Jobim. Em meio a tantos problemas que arrumei e arrumaram comigo, aprendi a ter raiva, aprendi a amar. A vida hoje é muito valiosa, aos 47 anos.

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