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"Daqui a pouco eu que vou ter que pagar", diz ciclista que teve braço arrancado na Paulista

David Santos Souza recebeu a notícia de que seu atropelador terá pena reduzida

São Paulo|Giorgia Cavicchioli, do R7

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David perdeu o braço depois de ser atropelado na avenida Paulista
David perdeu o braço depois de ser atropelado na avenida Paulista

Depois de receber a notícia de que o estudante Alex Kozloff Siwek terá sua pena reduzida e poderá voltar a dirigir a qualquer momento, o jovem que teve o seu braço arrancado depois de ser atropelado por ele na avenida Paulista em 2013 afirma que o sentimento “é de indignação e de injustiça”.

— Não parece que a Justiça está trabalhando de maneira correta. Parece que, daqui a pouco eu que vou ter que pagar pra ele.


David Santos Souza diz que também não duvida que Alex já esteja dirigindo pelas ruas sem qualquer tipo de preocupação:

— É difícil de falar que ele não está dirigindo. Não sei se está tendo alguma fiscalização.


Na primeira sentença, o estudante foi condenado a seis anos de prisão em regime semi aberto, pagamento de 60 salários mínimos e suspensão da carteira de habilitação por cinco anos. A pena, agora, foi reduzida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para dois anos em regime aberto, oito meses se suspensão do direito de dirigir, além dos 60 salários mínimos.

De acordo com o advogado Ademar Gomes, que defende David, a redução da pena aconteceu porque “a Justiça entendeu que no crime dele não houve a intenção de dolo de jogar o braço no rio. Além de ele atropelar a vítima ele jogou o braço, mas a Justiça diz que não houve a intenção de fazer isso”.


Gomes diz que isso acontece porque a lei de trânsito no Brasil “é muito fragilizada” e que a pessoa pode matar no trânsito e ficar impune.

— Essa pena é uma vergonha. É ridícula e vem a incentivar que todas as pessoas possam dirigir embriagadas, drogadas e em alta velocidade. Aí ela só vai pagar uma cesta básica.


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Porém, o advogado diz que só conseguirá tomar providências sobre a decisão quando acontecer a publicação do acórdão.

Mesmo abalado com a notícia, a vítima do caso continua “tocando a vida”, trabalhando e estudando para prestar vestibular em arquitetura.

— Também vou ter que arrumar outro emprego. Tenho uma entrevista marcada para amanhã. A minha vida continua normal. Se esperar pelos outros, não vou conseguir nada.

Em 2013, David seguia de bicicleta pela avenida Paulista, em direção ao trabalho. Quando menos esperava, Alex, que estava em alta velocidade, o atropelou. Depois disso, o motorista do carro fugiu do local e não prestou socorro à vítima.

O braço direito do ciclista foi arrancado e ficou preso na lataria. Quilômetros depois, o motorista jogou o braço em um córrego. O membro perdido nunca foi localizado.

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