São Paulo Decretada prisão preventiva de três suspeitos de incendiar Borba Gato

Decretada prisão preventiva de três suspeitos de incendiar Borba Gato

Paulo Galo já está preso, Danilo Oliveira se entregará e o motorista Thiago Zem está foragido. Estátua foi incendiada em 24 de julho

  • São Paulo | Beatriz Leite*, da Agência Record, com informações da Agência Estado

Incêndio no Borba Gato

Incêndio no Borba Gato

GABRIEL SCHLICKMANN / ISHOOT / ESTADÃO CONTEÚDO - 24.07.2021

A Justiça de São Paulo acatou nesta sexta-feira (6) o pedido de prisão preventiva de três suspeitos de incendiar a estátua do bandeirante Borba Gato no bairro de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, no dia 24 de julho. 

A Polícia Civil havia solicitado as prisões do entregador Paulo Roberto da Silva Lima, o Paulo Galo, de 32 anos, de Danilo Silva Oliveira, o Biu, de 36 anos, e do motorista Thiago Vieira Zem, de 35 anos. Eles já haviam sido indiciados por crimes de dano, associação criminosa, incêndio e adulteração de veículo.

A decretação das prisões acontece um dia após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) conceder habeas corpus para revogar a prisão temporária de Paulo Galo, que não chegou a ser solto e segue preso no 2º Distrito Policial, do Bom Retiro, no centro da capital.

Ao Estadão, o advogado André Lozano Andrade, responsável pela defesa do ativista, disse que houve um atraso deliberado na expedição do alvará de soltura até que fosse decretada a prisão preventiva, que não tem prazo determinado. "Não há qualquer motivação, além de política, para a manutenção de sua prisão na modalidade preventiva. Isso é uma afronta ao estado democrático de direito", diz nota publicada nas redes sociais da Galo.

Com a decisão da Justiça paulista, a liminar do ministro Ribeiro Dantas, do STJ, perdeu o efeito, uma vez que valia apenas para a prisão temporária. Ao mandar soltar o ativista, o ministro disse que não havia 'razões jurídicas convincentes e justas' para manter a detenção. Galo está preso desde o dia 28 de julho, quando se apresentou espontaneamente na delegacia e admitiu participação no ato.

Depois da liminar do STJ, a Polícia Civil enviou um relatório parcial do inquérito à Justiça e pediu a manutenção da prisão de Galo e a detenção dos outros dois investigados no caso. Na avaliação da juíza, as provas colhidas apontam para a materialidade dos crimes.

Danilo e Thiago estão foragidos. O advogado Jacob Lozano Filho, que também representa afirmou que Danilo pretende se entregar, mas não divulgou o dia. Thiago já chegou a ser preso, mas teve liberdade provisória concedida no dia 26 de julho. Ele alega que apenas foi contratado para levar os pneus que foram queimados junto ao monumento.

O incêndio

O incêndio aconteceu na tarde do último dia 24 e não houve registros de feridos. Um grupo chamado Revolução Periférica postou fotos e vídeo do monumento em chamas nas redes sociais. Em uma das imagens é possível ver os pneus já pegando fogo com pessoas vestidas de preto e uma faixa com o nome do grupo e a frase: "A favela vai descer e não será Carnaval".

Abrir o debate

Quando se entregou à polícia, Galo afirmou que o incêndio foi provocado para "abrir o debate". Nas redes sociais o protesto levantou novamente a discussão sobre o papel de Borba Gato na escravidão de indígenas e negros no Brasil. "Para aqueles que dizem que a gente precisa ir por meios democráticos, o objetivo do ato foi abrir o debate. Agora, as pessoas decidem se elas querem uma estátua de 13 metros de altura de um genocida e abusador de mulheres", disse o ativista.

Não sabem quem foi

O jornalista e escritor Eduardo Bueno se colocou contra o protesto, e defendeu o bandeirante.  Em vídeo publicado esta semana em seu canal no Youtube, Bueno afirma que os manifestantes colocaram fogo em uma obra de arte e que não sabem quem foi a figura que queimaram.

Quem eram os bandeirantes?

Os bandeirantes eram um grupo que realizava incursões no interior do Brasil e perseguia povos indígenas durante o período colonial no país.

Historiadora por formação e professora de historiografia colonial na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), Iris Kantor relembra que eles não eram conhecidos como bandeirantes à época.

O termo foi criado por outros historiadores contemporâneos como Affson Taunay, diretor do Museu Paulista após 1917. Antes, os membros do grupo eram chamados de "paulistas" ou sertanistas.

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