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Diretor do Procon-SP diz que 'golpe da fruta' no Mercadão é tática inusitada e abusiva

Relatos de constrangimento de clientes com amostras para pagarem frutas a preços abusivos violam pelo menos dois trechos do Código do Consumidor, afirma Fernando Capez 

São Paulo|Gabriel Croquer, do R7

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Clientes relatam coação e até mesmo ameaças para pagar frutas depois de prová-las
Clientes relatam coação e até mesmo ameaças para pagar frutas depois de prová-las

O diretor-executivo do Procon-SP, Fernando Capez, afirma que os relatos de um "golpe da fruta" no Mercadão Municipal de São Paulo mostram uma tática inusitada no Brasil e que as denúncias revelam também práticas abusivas com diversas infrações a trechos do Código do Consumidor. 

"[A tática] é mais comum em outros países, da Europa, onde te empurram para dentro das lojas. No Brasil eu nunca tinha visto uma coisa dessa, é inusitado (...) É uma clara violação ao direito do consumidor, que é passível de multa e o Procon vai tomar providências", relatou. 

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Conforme mostrou reportagem do R7, dezenas de queixas de clientes do Mercadão já foram registradas em redes sociais ou páginas de turismo contra os atendentes das barracas de frutas. O roteiro é parecido: as pessoas dizem que a príncipio são bem atendidas pelos funcionários, que oferecem amostras de frutas bonitas e diversificadas para provar.

Enquanto isso, os vendedores montam bandejas e depois coagem o cliente a comprar os produtos por valores entre R$ 300 e R$ 500 por poucas frutas. Caso a pessoa se negue a pagar, ela é maltratada, ofendida e até mesmo ameaçada, segundo os relatos. 

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De acordo com Capez, a prática infringe diretamente pelo menos dois artigos do Direito do Consumidor: o 39º (que veda práticas abusivas contra o consumidor) e o 6º (estabelece proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, e métodos comerciais coercitivos ou desleais). As violações são passíveis de multa de R$ 20 até R$ 250 mil — de acordo com o faturamento da barraca.

Fernando Capez, diretor-executivo do Procon-SP
Fernando Capez, diretor-executivo do Procon-SP

Além disso, existe uma série de deveres do estabelecimento em relação ao preço, entre eles o de informar o valor antes da efetivação da compra e o de afixar os valores da forma mais simples possível para os clientes. O Procon acrescenta que os produtos oferecidos para degustação — sem pedido do consumidor — são considerados amostras grátis e não devem ser cobrados. 

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Para aqueles que caírem no golpe ou se sentirem ameaçados, Capez explica que o ideal é sempre contar com as autoridades. "Entra no site do Procon-SP, faz uma reclamação eletrônica e nós vamos checar com o endereço da barraca. Se tiver violência, é B.O., com a polícia", conclui. 

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Responsabilidade de empresas

O Mercado Municipal de São Paulo e o Mercado Kinjo Yamato, localizados na região central da capital paulista, foram concedidos à iniciativa privada por 25 anos. O contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Consórcio Novo Mercado Municipal foi assinado em abril de 2021.

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O consórcio é composto da empresa Brain Realty Consultoria e Participações e do Fundo de Investimento Mercado Municipal. O acordo prevê que "a concessionária invista obrigatoriamente no restauro e reforma dos mercados, em conformidade com as especificações técnicas, exigências de operação e ambientais, bem como as normas vigentes e os órgãos de tombamento".

Os relatos do "golpe da fruta", no entanto, mostram que a prática é realizada no Mercadão desde muitos anos antes de a concessionária assumir o local. Até mesmo um perfil foi criado no Instagram recentemente, com o nome de 'golpe_do_mercadao_sp", para divulgar histórias de clientes que se sentiram constrangidos. A página conta com 1.110 seguidores e 68 publicações — a maioria com histórias de seguidores sobre o golpe.

Em outras redes sociais, como o Twitter, Facebook e sites como TripAdvisor, existem diversas denúncias sobre preços abusivos e coação dos clientes. 

O outro lado

Em nota, a Mercado SP SPE S.A., concessionária que administra o Mercadão desde setembro, informou que "está tomando as providencias cabíveis em relação não só aos acontecimentos relatados, mas em todo o setor de comércio de frutas".

A concessionária disse que realiza reuniões rotineiras com os responsáveis pelas bancas de frutas e adverte sobre as consequências do não cumprimento do Regimento Interno, do contrato firmado e da legislação em vigor.

"Já foram e continuam sendo aplicadas multas aos lojistas que foram advertidos e desrespeitaram as determinações sendo que, após a aplicação da segunda multa, serão tomadas, pela Mercado SP SPE S.A., medidas para rescisão do contrato", escreveu em nota.

A concessionária ressaltou ainda que quer ser informada de eventuais abusos para que sejam tomadas as medidas necessárias. Denúncias podem ser enviadas pelo e-mail sac@mercadospspe.com.br.

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