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Dono de obra que desabou na zona leste de SP depõe, mas culpados só serão apontados em 2014

Mostafá Abdallah Mustafá foi ouvido, mas polícia ainda não tem prazo para fim de inquérito

São Paulo|Do R7, com Fala Brasil

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Desabamento em agosto deixou dez mortos em São Mateus
Desabamento em agosto deixou dez mortos em São Mateus ADRIANO LIMA/ESTADÃO CONTEÚDO

Passados mais de três meses, a tragédia ocorrida na zona leste de São Paulo no dia 27 de agosto e que deixou dez mortos e 26 feridos, quando um prédio de dois pavimentos desabou em São Mateus, ainda não se sabe quem são os culpados. A polícia ainda trabalha no caso, que só deve ter um desfecho em 2014.

Nesta terça-feira (10), Mostafá Abdallah Mustafá, um dos três donos do terreno onde estava sendo erguido o depoimento, prestou depoimento no 49º Distrito Policial de São Mateus. Ele foi ouvido por pouco mais de duas horas e foi liberado. Com base nas informações dele, o delegado Luiz Carlos Unzelin falou sobre as possíveis alterações que contribuíram para o desabamento.


De acordo com Unzelin, o Magazine Torra Torra, que locaria o espaço para abrir uma loja da rede na região, solicitou algumas mudanças no prédio que estava em construção. Tal medida foi atendida pela JAMS Empreendimentos Agrícolas, empresa de Mostafá Abdallah Mustafá, Ali Abdallah Mustafá e Samir Abdallah Mustafá.

— O Torra Torra manifestou desejo de maior espaço de vão livre possível, quando pediu ao suposto engenheiro que fizesse, atendesse ao pedido e suprimisse alguns pilares edificados naquele local.


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A polícia já ouviu 45 pessoas após três meses da tragédia. A Justiça e o MP (Ministério Público) acataram o pedido para prorrogação do inquérito policial por mais 60 dias e pelo menos mais sete pessoas – incluindo Ali e Samir – serão ouvidos. Além disso, o laudo mais importante sobre o desabamento, a cargo do Instituto de Criminalística, ainda não ficou pronto, o que justifica o pedido de prorrogação.

Para Unzelin, contudo, algumas situações já parecem claras nessa altura das investigações.


— Antes que o projeto fosse apresentado na prefeitura, ele começou a edificar. Ele contratou uma construtora que acertou e começou a edificar a obra. Só mudou a forma que seria edificada quando da locação por parte do Torra Torra.

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A Justiça do Trabalho já bloqueou R$ 5 milhões das empresas envolvidas no caso para o pagamento de indenizações, inicialmente já estimadas em R$ 10,2 milhões. Além dos bens da JAMS e do Torra Torra, está bloqueado tudo aquilo em nome da Salvatta Engenharia, empresa contratada pelo Torra Torra e que executava as obras na época do desabamento.

No jogo do “empurra-empurra” de responsabilidades, com os donos do terreno de um lado, e os locatários de outros, a polícia deve definir no próximo ano quem são os culpados. Pelo menos é o que esperam as famílias das vítimas.

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