Doze PMs de SP são presos por ligação com tráfico de drogas e outros crimes
Esquema foi descoberto após policias serem flagrados com 2 malas de drogas em viatura
São Paulo|Do R7*

A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou, no dia 10 de fevereiro, a prisão preventiva de 12 policiais militares que atuam no 50º BPM (Batalhão da Polícia Militar), no extremo da zona sul de São Paulo. Eles são investigados por receber e exigir vantagens financeiras de traficantes locais para não aplicar a lei em pontos de vendas de drogas. A assessoria de imprensa do TJMSP (Tribunal de Justiça Militar de São Paulo) afirma que todos PMs já foram presos.
Os policiais militares investigados são os soldados André Nascimento Pires, Rodrigo Guimarães Gama, Nicolas Almeida Leopoldino da Silva, Anderson Moura de Almeida, Ricardo Francisquette Herrera Filho, Julio Cesar de Andrade, Jefferson Cardoso Pedroso, Paulo Alberto Freitas de Oliveira e Heitor Piovesan; os cabos Rodolfo Ramos Correia e Luiz Carlos de Jesus Melo; e o 2º Sargento Marcelo de Souza.
Além de envolvimento com tráfico de drogas, o IPM (Inquérito da Policial Militar) instaurado investiga participação de policiais em crimes como corrupção passiva, concussão, extorsão mediante sequestro, peculato. Foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão, sendo que os outros cinco PMs ainda estão sendo investigados, segundo a assessoria do TJMSP.
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De acordo com a decisão do Juiz de Direito Ronaldo João Roth, há provas de diversos delitos cometidos pelos PMs que foram levantadas por meio de interceptação telefônica. Os crimes teriam sido evidenciados com a prisão dos soldados da PM Gama e Pires, em 30 de janeiro, na zona norte paulistana, enquanto transportavam, dentro de uma viatura, duas malas com drogas que seriam vendidas a um traficante.
Na decisão, o juiz ressalta que os PMs devem ficar presos preventivamente por “conhecerem os dados de qualificação dos traficantes, inclusive endereços”. Segundo a decisão, o conhecimento dos policiais sobre os locais onde cometiam os delitos causam “temor tanto por parte dos envolvidos no crime, bem como das próprias testemunhas que temem em contar detalhes da cena do crime e serem mortas como 'queima de arquivo’”.
O medo dos moradores é endossado por outros crimes cometidos pelos PMs investigados. Segundo consta na decisão da Justiça Militar, houve sequestro de traficantes e seus familiares durante a apuração da polícia.
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O juiz Roth ainda afirma, na decisão, que os familiares de traficantes e os próprios traficantes que tiveram envolvimento com os PM “podem ser facilmente coagidos pelos investigados”. Pelo menos outras duas testemunhas também teriam sido ameaçadas e sofrido violência por parte dos policiais investigados.
“A prisão preventiva foi adequadamente motivada, tendo em vista que o paciente ameaçou duas testemunhas que estavam no interior do veículo no momento em que disparou cinco tiros contra a vítima, tendo posteriormente ameaçado uma delas para retirar a acusação”, consta na decisão.
Ainda teria sido encontrado “alto valor em dinheiro” dentro do veículo de um dos PMs investigados, e não houve nenhuma comprovação da origem. Isso seria mais um “claro indício de autoria e materialidade do crime de concussão”.
*Com colaboração de Kaique Dalapola, estagiário do R7














