"É vergonhoso", diz transexual que foi obrigada a pagar por ingresso masculino
Branca Bacci Brunelli foi constrangida em porta de balada em Campinas, interior de SP
São Paulo|Giorgia Cavicchioli, do R7

No dia 31 de outubro, a jovem Branca Bacci Brunelli foi para uma balada curtir a noite em Campinas, interior de São Paulo. Ao chegar na casa noturna Banana República, ela foi constrangida pelo fato de ser transexual. Segundo ela, “é vergonhoso uma pessoa ser forçada a passar por esse tipo de situação embaraçosa e humilhante” em pleno ano de 2015.
— Se o respeito não é voluntário, que seja fruto de processos judiciais.
Por conta disso, a jovem entrou com um processo civil contra a casa noturna pelo constrangimento que passou. Tudo começou no hall de entrada do estabelecimento, quando ela apresentou o seu RG, que ainda não foi corrigido. Lá, ela foi questionada pela atendente se aquela pessoa no documento era ela mesma. Ela disse que sim.
Depois disso, Branca diz que a atendente chamou uma colega e começou a trata-la como “ele”. Ela teria dito: “Ele é... Como funciona? Ele paga como mulher ou homem?” Foi aí que a colega disse que “ele” pagaria como estava no RG.
Então, Branca explicou que sempre frequentava a casa e que sempre tinha pagado como mulher. Ela tirou da bolsa o laudo clínico que explicava que ela era mulher e deveria ser tratada como tal. Mesmo assim, o gerente do estabelecimento foi chamado. O funcionário, segundo Branca, sequer leu o documento e disse que ela teria que pagar a entrada masculina.
— Mudei a abordagem falando sobre a ilegalidade de se fazer distinção de preços por gênero ou ainda exigir consumação mínima. Inútil.
Depois de conversar muito, Branca diz que ficou “cansada dos olhares e de toda aquela humilhação” e que aceitou entrar no local pagando o ingresso masculino.
— O que me deixa mais indignada é a incoerência de seguir o que diz o RG.
Depois disso, ela tomou a decisão de levar o caso para uma instância superior. Ela afirma que eles “se meteram com a mulher errada” e que não faz isso “apenas pela vergonha e humilhação que passou”, mas “em nome de todas as pessoas que sofrem situações do gênero e ficam caladas”.
— Eu sou mulher e serei tratada como uma. Por bem ou por mal.
A casa noturna foi procurada pelo portal R7 para comentar o assunto por telefone e por e-mail. Porém, até o fechamento dessa reportagem, não obteve resposta.
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