Em ano de Copa, perfil de manifestações muda em SP
Organizações dizem que ações de força da polícia podem cercear o direito à manifestação
São Paulo|Luis Kawaguti , da BBC Brasil

Neste ano, as reações enérgicas das forças policiais contra grupos reduzidos de manifestantes que tentam se aproximar de estádios vêm marcando a maior parte das manifestações ocorridas desde o início da Copa do Mundo.
Para analistas ouvidos pela BBC Brasil, com essa estratégia, as autoridades brasileiras tentam evitar publicidade internacional negativa, mas podem acabar ferindo o direito de manifestação da população.
Segundo o especialista em segurança Guaracy Mingardi, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as manifestações que vêm ocorrendo tem um perfil diferente dos protestos do ano passado.
Ele afirmou que as polícias nunca tiveram a preparação completa para diferenciar manifestantes pacíficos de black blocs. Mas nos atuais protestos, de menores proporções, tornou-se mais fácil para os policiais diferenciar quem é quem.
Por causa disso, em sua opinião, os protestos estariam se tornando menos violentos que os ocorridos no início de junho de 2013.
— Há um número menor de manifestantes pacíficos e um número igual de black blocs. Fica mais fácil para a polícia controlá-los.
Presença policial
Na última quinta-feira (17), a opção feita pela polícia de São Paulo foi diferente do que havia ocorrido desde o início da Copa. Os manifestantes do Movimento Passe Livre divulgaram com antecedência o roteiro de sua manifestação — e ela não passava pela Arena Corinthians.
Estratégia policial enérgica divide opiniões na Copa
Atendendo aos manifestantes, o governo não enviou a Polícia Militar para acompanhar o protesto. Mas ao fim dele, mascarados black blocs vandalizaram concessionárias e bancos. A violência deu o alerta para a Fifa e para o governo local — que prometeu que a polícia estará presente nos próximos atos.
Resta saber se depois disso a repressão rápida e enérgica da polícia realmente continuará como a principal tática. Nesta segunda-feira, quando o Brasil enfrenta Camarões, novos protestos estão previstos.













