Em depoimento, operador de guindaste que tombou no Itaquerão nega falha humana, diz advogado
Funcionário, que tem 34 anos de experiência, foi ouvido nesta quarta-feira pela polícia
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

Advogado da empresa Locar, proprietária do guindaste que tombou ao erguer uma estrutura de aço de 420 toneladas durante as obras da Arena Corinthians, Carlos Kauffmann afirmou em entrevista ao R7 que não houve falha humana. O acidente, ocorrido há uma semana, resultou na morte de dois operários.
Nesta quarta-feira (4), Kauffmann acompanhou o depoimento à polícia do operador do guindaste, que alegou ter desempenhado a função corretamente. José Walter Joaquim, 56 anos, foi ouvido durante pouco mais de uma hora, conforme o advogado, que destacou os 34 anos de experiência do profissional. Joaquim é contratado pela Locar, responsável por alugar a máquina à Odebrecht, empreiteira que toca as obras do novo estádio. De acordo com a construtora, o guindaste içava o último módulo da estrutura da cobertura metálica da arena, quando tombou.
Segundo Kauffmann, na ocasião em que o equipamento chegou ao Brasil, foi José Walter Joaquim que o recebeu do fabricante. Ele acrescentou que o operador fez o içamento de todas as outras 37 peças da cobertura da Arena Corinthians.
— Iniciado o procedimento, conforme todas as outras oportunidades, sem nenhuma intercorrência, aconteceu o acidente. As causas estão sendo apuradas. Só a perícia pode determinar o que aconteceu. O que foi descartado hoje é qualquer falha humana, tanto dele como operador quanto das empresas com relação à conduta anterior ao acidente.
Segundo o defensor, o episódio provocou um abalo emocional no funcionário.
— Trinta e quatro anos de profissão sem nenhum arranhão. Ele ficou emocionalmente abalado com a magnitude do acidente. Ele teve atendimento [médico] até para saber se tinha alguma lesão, algum problema. Ele está muito abalado com o evento. Não só ele, como todas as empresas, todos os que estão envolvidos na obra. Duas pessoas morreram e isso é muito triste.
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Kauffmann enfatizou também que ao perceber que a peça içada estava retornando, o operador adotou todas os procedimentos para evitar a tragédia.
— A partir do momento em que ele percebeu que a peça estava voltando, ele fez todas as condutas para tentar evitar que acontecesse o acidente. Mas não teve como. Conduta tanto da máquina quanto conduta manual no modo emergência.
Perícia
Peritos do Instituto de Criminalística e representantes da alemã Liebherr, fabricante do guindaste, analisam os dados do equipamento. Segundo Luiz Antônio da Cruz, o aparelho é uma espécie de "caixa-preta" e registra o funcionamento da máquina.
Nesta terça-feira (3), dois funcionários da Odebrecht prestaram depoimento à Polícia Civil. De acordo com o delegado, eles negaram que houvesse problemas no solo onde operava o guindaste.
O engenheiro civil Ricardo Corregio, gerente administrativo e comercial do projeto do estádio e presidente da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) garantiu ao delegado que todos os procedimentos de segurança foram feitos.
O outro funcionário ouvido foi um encarregado de montagem, envolvido no plano de rigging também. Valter Luís Pedroso trabalhou em içamento junto com o funcionário que operava o guindaste no dia do acidente, José Walter Joaquim.













