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Em três semanas, São Paulo atinge metade da média anual de quedas de árvores

Alta demanda e pequeno número de equipes dificultam remoção de árvores condenadas

São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

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Aproximadamente 1.000 árvores caíram no município de São Paulo entre os dias 29 de dezembro de 2014 e 15 de janeiro de 2015. O número equivale a pouco mais da metade das ocorrências tradicionalmente registradas ao longo de um ano inteiro, segundo a Coordenação das Subprefeituras de São Paulo.

Nem sempre o problema resulta somente em prejuízo material e transtornos. Durante a tempestade do último dia 23 de dezembro, o passageiro de um táxi morreu após o veículo ser atingido por uma árvore na região de Higienópolis.


A situação preocupa o paulistano, e iniciativas no sentido de alertar o poder público vêm sendo desenvolvidas. Há mais de dois anos, por exemplo, a Associação Ame Jardins entregou à Prefeitura de São Paulo um estudo detalhado sobre o estado de saúde de 2.200 árvores localizadas dentro de seu perímetro de atuação — entre a rua Estados Unidos e as avenidas Brigadeiro Faria Lima e Rebouças e Nove de Julho.

O levantamento, que contou com o apoio da AES Eletropaulo, foi realizado pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). A ideia era ajudar a elaborar um plano adequado de manejo arbóreo para a região.


Até uma criança consegue identificar uma árvore com risco de queda, afirma botânico

De acordo com a Coordenação das Subprefeituras, a Subprefeitura Pinheiros acolheu as sugestões da pesquisa e incluiu as espécies indicadas em seu fluxo de análise e execução.


Mas, a Ame Jardins argumenta que das 333 árvores com iminente risco de queda, conforme o levantamento, apenas 120 exemplares foram removidos — menos da metade — e 113 espécies replantadas. No dia 30 de dezembro, o presidente da associação, Fernando José da Costa, encaminhou e-mail à Subprefeitura de Pinheiros, requerendo, entre outros,” atenção especial à execução urgente do serviço de manejo arbóreo nos Jardins, priorizando-se as árvores apontadas no estudo com risco iminente de queda, evitando-se mais transtornos aos moradores da região”.

Questinada sobre a inciativa da Ame Jardins, a Coordenação das Subprefeituras não havia dado resposta até a publicação desta matéria. 


Pedido não atendido

Diante da alta demanda e do número de equipes técnicas reduzidas, não é difícil encontrar casos em que a população faz o pedido de remoção de árvore com risco iminente de queda e não encontra resposta ágil do poder público. Nesta quarta-feira (14), marido e mulher ficaram presos dentro de casa após a queda de uma árvore. Uma parte da copa ficou apoiada no telhado do imóvel, localizado na rua Artur Dias, no bairro do Cursino, zona sul. O tronco caiu sobre o portão, impedindo que o casal saísse. Já a filha do casal não conseguiu entrar em casa ao chegar do trabalho.

Os moradores disseram que estavam pedindo auxílio da prefeitura desde o dia 28 de dezembro de 2014, quando a cidade começou a ser castigada por fortes chuvas. Com os temporais frequentes, a árvore começou a dar sinais de que cairia, o que aconteceu antes de uma resposta da prefeitura.

Segundo a assessoria de imprensa da Coordenação das Subprefeituras, 62 equipes trabalham na manutenção de árvores e 93, na manutenção de áreas verdes da cidade. Indagada pelo R7 sobre quantos profissionais integram cada equipe, a coordenação não deu resposta até a publicação desta matéria.

A assessoria informou que as 62 equipes de trabalho das subprefeituras “priorizam as remoções que liberam as principais linhas viárias da cidade no menor tempo possível, seguidas pelas retiradas necessárias ao restabelecimento de energia elétrica”.

Números

De acordo com a prefeitura, em 2014, foram realizadas mais de 100 mil podas, 14 mil remoções e aproximadamente 11 mil substituições com árvores novas, em atendimento a 66 mil solicitações registradas via Sistema de Atendimento ao Cidadão, 156 ou Praças de Atendimento.

Em dezembro de 2014, foram realizados 6.715 podas, 992 remoções e 881 plantios de árvores novas. A cidade de São Paulo possui aproximadamente 650 mil árvores no viário público.

A administração municipal destaca que pedidos de poda ou remoção devem ser apoiados na legislação estadual e municipal. Os serviços são acompanhados por engenheiros agrônomos com base na Lei nº 10.365, já que a poda realizada irregularmente é considerada crime ambiental.

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