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Estudo revela que 97% das mulheres sofreram assédio em transporte

Pesquisa mostra que 41% receberam olhares insistentes, 35% foram encoxadas, 33% receberam cantadas, 22% tiveram partes do corpo tocadas

São Paulo|Fabíola Perez, do R7

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46% das mulheres não se sentem seguras para usar transporte
46% das mulheres não se sentem seguras para usar transporte

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão, em parceria com o Instituto Locomotiva, revelou que 97% das mulheres foram vítimas de assédio em meios de transporte. O estudo, divulgado na manhã desta terça-feira (18), apontou ainda que 46% não se sentem confiantes para usar meios de transporte sem sofrer assédio sexual.

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De acordo com o estudo, a maioria das pessoas conhece alguma mulher que já sofreu assédio sexual em público. Entre as situações mais recorrentes estão receber olhares insistentes, receber cantadas indesejadas, comentários de cunho sexual, ser encoxada, passarem a mão no corpo da vítima, receber gestos obscenos, ser seguida, entre outras.

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A diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê Machado, afirma que ao perguntar se uma mulher já sofreu assédio em transportes 53% responde positivamente. Mas, ao elencar explicitamente diversas situações que configuram assédio o número sobe para 97%. "São situações cotidianas para mulheres que se locomovem, mas muitas acabam não nomeando como assédio", diz ela.

Esses episódios, explica Maíra, provocam medo, uma série de traumas e restringe os horários que se locomovem. "O dado de que 46% não se sentem seguras de que podem sair sem ser assediadas mostra que, infelizmente, faz parte do dia a dia das mulheres conviver com o assédio. Isso impacta na qualidade de vida."


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A pesquisa apontou ainda que três em cada quatro usuárias se sentem mais seguras usando transporte por aplicativo, 68% se sentem mais seguras utilizando taxis e 26% se sentem seguras em transporte público.


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Para Maíra, as mulheres tem se mobilizado e se apoiado entre si. "As mulheres estão cobrando dos meios de transporte, houve um pequeno avanço nesse sentido." Contudo, ainda é preciso investiver em campanhas para trazer a reflexão de que certas situações não são normais. "É um problema da sociedade como um todo."

A mobilização de grupos de mulheres contra o assédio esbarra na abertura dos meios de transporte. "Estão muito aquém do que deveriam", diz Maíra. "Além do combate ao assédio, há um segundo passo é a punição do agressor. Quando isso não ocorre gera uma sensação de imunidade que faz a vítima deixar de denunciar. É fundamental para as mulheres conseguirem se locomover para ampliar sua automia."

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