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Ex-PM acusado de matar vigilante com tiro na nuca em SP vai a júri

Alex de Morais, 39 anos, foi morto com um tiro na nuca em outubro de 2015. Os policiais militares registraram a morte como atropelamento

São Paulo|Kaique Dalapola, do R7

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Alex de Morais foi morto pela PM com um tiro na nuca
Alex de Morais foi morto pela PM com um tiro na nuca

O policial militar expulso da corporação José Rogério de Souza deve ir para o banco dos réus, ser julgado por populares, na tarde desta quinta-feira (9). Ele é acusado de matar o vigilante Alex de Morais, na época com 39 anos, no Parque Santa Madalena, região de Sapopemba (zona leste de São Paulo), em outubro de 2015.

A juíza Débora Faitarone designou a quinta-feira e a sexta-feira (10) para ouvir as testemunhas e o júri condenar ou absolver o policial militar responsável por dar um tiro na nuca do vigilante que estava voltando do serviço.


Na ocasião, o então soldado Souza estava em patrulhamento em um carro da Polícia Militar, junto com o ex-soldado Paulo Henrique Rezende da Silva, quando iniciaram uma tentativa de abordar dois homens em uma motocicleta, conforme disseram durante as investigações.

Durante essa busca, o PM Souza atirou com uma pistola calibre 380 — que não é a utilizada pelos policiais militares durante o serviço. O disparo acertou o Morais, que havia acabado de desembarcar de um ônibus, estava no ponto e iria para casa.


Leia também: PMs admitem que mataram vigia 'por engano'

A versão do ex-PM Silva é que na hora do disparo, o carro da polícia havia passado por uma vala e ele não percebeu que a arma de seu parceiro, que estava de passageiro, disparou. Ainda segundo Silva, o ex-soldado que efetuou o disparo disse a vítima havia sido atropelada.


O caso chegou a ser registrado no 69º DP (Teotônio Vilela) como atropelamento. O tiro passou batido pelo atendimento dos bombeiros e pelos médicos do Hospital Santa Marcelina, que atendeu a vítima. E somente o laudo do IML (Instituto Médico-Legal) apontou que a morte havia sido ocasionada por um disparo de arma de fogo.

Com os exames periciais, novo inquérito foi instaurado para apurar o caso e a Corregedoria da Polícia Militar também passou a apurar. A família também registrou novo boletim de ocorrência, e o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) pediu a prisão dos dois policiais.


No mês seguinte ao crime, a Justiça decretou a prisão preventiva dos dois PMs. A defesa do soldado Silva, no entanto, pediu o desmembramento do processo, alegando que ele não tinha a ver com o homicídio — uma vez que estava apenas dirigindo o carro da PM e não atirou.

Silva foi para o banco dos réus e acabou inocentado do homicídio, mas foi condenado a sete meses de prisão pela fraude processual que cometeu, por ter mentido sobre como aconteceu a morte de Morais. Como já estava a dois anos e nove meses preso, a Justiça decidiu o colocar de volta em liberdade.

Em 14 de abril de 2018, foi publicado no Diário Oficial que os dois soldados estavam sendo demitidos “pelo cometimento de atos atentatórios à Instituição e ao Estado e incompatíveis com a função policial militar, consubstanciando transgressão disciplinar de natureza grave”.

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