Exame apontará se vizinhos podem ter ouvido tiros que mataram família de PMs
Policiais do DHPP farão o teste acústico na madrugada desta segunda-feira (19)
São Paulo|Do R7, com Agência Record

Policiais do DHPP (Departamento de Homicídio e proteção à Pessoa) realizarão a partir das 0h desta segunda-feira (19) um exame acústico em uma das casas vizinhas a da família Pesseghini, encontrada morta no último dia 5, no bairro da Brasilândia, zona norte de São Paulo.
Segundo o delegado responsável pelas investigações do caso, Itagiba Franco, o teste apontará se os sons dos disparos que mataram a família poderiam ter sido ouvidos pelas testemunhas de dentro de suas residências.
Uma das vizinhas chegou a afirmar ter acordado com os barulhos semelhantes a tiros na madrugada de domingo para segunda do último dia 5, quando os assassinatos teriam ocorrido.
O garoto de 13 anos, Marcelo Pesseghini, é apontado como o principal suspeito de matar os pais — policiais militares —, a avó e a tia-avó. Segundo a polícia, ele teria se suicidado após os crimes.
Versão da polícia
A versão sustentada pelos policiais é de que, na sala da casa, o adolescente atirou no pai e na mãe. Em seguida, na outra casa, ele também atirou na avó e na tia-avó. Para a Polícia Civil, a única pessoa que poderia não estar dormindo na hora do crime era a mãe, encontrada de joelhos, ao lado do colchão onde o marido estava.
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Mistérios e dúvidas ainda cercam chacina de família de PMs
Logo após os assassinatos, por volta de 1h, Marcelo teria pego o carro de Andreia e dirigido até a rua da escola onde estudava, a cerca de 5 km de casa. Ele teria ficado dentro do veículo até 6h20, quando foi flagrado por uma câmera de segurança saindo do carro e caminhando sozinho, com uma mochila, até a escola. Professoras e colegas afirmam que ele foi à aula normalmente naquele dia. O rapaz voltou para casa de carona com um amigo e teria se matado em seguida, também com um tiro na cabeça, na sala onde os pais foram mortos.
A investigação, porém, está cercada de dúvidas e mistérios.
Família contesta
A família dos PMs não acredita na versão apresentada pela polícia. Um parente, que não quis ser identificado, disse que o menino seria “incapaz” de cometer os crimes.
— Uma criança doce, superinteligente, incapaz de fazer mal a qualquer ser humano.
O irmão de Bernadete e Benedita, e tio de Andreia, que não quer ser identificado, disse ter recebido dois telefonemas que seriam da escola de Marcelo, logo que entrou na casa, quando os corpos foram achados.
— No dia desse crime, eu cheguei com meu filho na casa, estava cheio de polícia, e o telefone da minha irmã tocou. Eu nem tinha visto o corpo da minha irmã. Eu fui e atendi ao telefone, achando que era parente. A voz de uma mulher falou, "é a casa do Marcelinho?". Eu falei, "quem quer falar com ele?". Ela disse, "é da escola, é porque o Marcelinho não veio para a escola hoje".
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Apesar de ser uma informação que poderia mudar toda a cronologia montada pela polícia, o tio admitiu que não contou isso em depoimento no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Informado, o delegado Itagiba Vieira Franco, disse que vai chamá-lo novamente para depor.
Segundo o tio-avô de Marcelo, o menino adorava o pai, a mãe e a avó, que o criou porque os pais trabalhavam.
— O pai dele era o orgulho dele. Ele sempre falava que queria ser, quando crescer, policial da Rota. Ele tinha roupinha de policial da Rota. [...] A avó era tudo para aquela criança. Eu não acredito que o Marcelinho fez uma coisa dessas.













