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Exame de balística do massacre do Carandiru ainda é inconclusivo 

Foram apreendidas 392 armas, mas apenas 160 projéteis e fragmentos foram recolhidos

São Paulo|Ana Ignacio e Vanessa Beltrão, do R7

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Detentos exibem os cartuchos das balas disparadas pelos policiais, durante o massacre ocorrido na Casa de Detenção do Carandiru
Detentos exibem os cartuchos das balas disparadas pelos policiais, durante o massacre ocorrido na Casa de Detenção do Carandiru

O júri popular de 26 PMs acusados de executar 15 presos durante o massacre do Carandiru poderia já ter acontecido no dia 28 de janeiro de 2013, mas, devido à perícia do confronto balístico (exame que determina de quais armas partiram os tiros) solicitada pela defesa, teve que ser adiado. Em 1992, essa prova não pôde ser realizada pelo IC (Instituto de Criminalística) que, na época, alegou "inviabilidade".

Segundo consta no processo, a dificuldade para a realização do exame é porque foram apreendidas 392 armas de fogo (calibres 38, 357 e 9 mm), mas apenas 160 projéteis e fragmentos foram recolhidos. Desses, 136 eram compatíveis com os referidos calibres, ou seja, menos de uma bala por arma.


No entanto, mesmo com o passar do tempo, a defesa continuou insistindo na prova. Para a advogada, a evolução tecnológica poderia tornar possível a realização do exame na atualidade. Mas um ofício da perita criminal Sônia Maria Bocamino, emitido em 21 de junho de 2012, confirmou que as dificuldades ainda persistem. 

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No documento, a perita esclareceu que, por conta do tempo transcorrido, as peças metálicas podem ter oxidado e, com isso, os projéteis e as armas perdem as suas características originais, dificultando os resultados das análises. Além disso, de acordo com Bocamino, seriam necessários seis padrões de bala retirados das vítimas para cada arma, porém o número de projéteis recolhidos é insuficiente.


Para a advogada, essa seria uma prova essencial tanto para acusação quanto para a defesa e, sem esse documento, o que existe são "acusações genéricas".

— As armas dos PMs foram apreendidas. Somente através desse laudo, eu poderia dizer que o PM X matou a vítima Y. Vai incumbir ao Ministério Público provar que isso aconteceu, se ele não tem essa prova técnica vai ter que ter outras, o que eu conhecendo o processo, tenho certeza que não tem. 


Para a promotoria, no entanto, não há necessidade de individualizar a ação ocorrida dentro do pavimento e o confronto balístico não é, para eles, uma prova determinante.

— A situação de incurso de pessoas enseja um grupo que aderiu a uma vontade dos outros e ali praticou-se um homicídio. A perícia do confronto balístico ia acrescer detalhes.

Relembre o caso 

O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dá início a uma rebelião no pavilhão nove. Com a confusão, a tropa de choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta.

Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses, 84 foram acusados de homicídio. Desde aquela época, cinco morreram e agora restam 79 para serem levados a julgamento.

Até hoje, apenas Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.

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