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Faixas de ônibus 'empurram' ciclistas para o meio da rua

Prefeitura promete construir ciclovias, rotas para bicicletas e estruturas cicloviárias até 2016

São Paulo|Do R7

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Ciclistas querem compartilhar vias com veículos
Ciclistas querem compartilhar vias com veículos

A criação de 150 km de faixas exclusivas de ônibus acabou gerando uma polêmica com quem pedala. Cicloativistas afirmam que seria ideal que bicicletas pudessem compartilhar as vias. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), no entanto, não aconselha esse tipo de procedimento.

Após a criação dos espaços exclusivos para coletivos, alguns ciclistas passaram a usar outras faixas e encararam ainda mais xingamentos e buzinadas dos motoristas de carros. Os que continuam do lado direito, compartilhando o espaço com os ônibus, contam que também passaram a ouvir mais reclamações, como conta o cicloativista Wilian Cruz, que mantém o site Vá de Bike!.


— Em qualquer faixa que usamos somos mal recebidos. É preciso haver um posicionamento da CET sobre onde devemos circular.

De acordo com Cruz, é até melhor circular na via dos ônibus, já que o volume de veículos em geral diminuiu nessas faixas, mas ele diz que também é possível seguir pela segunda faixa, com os automóveis. No entanto, além de um discurso oficial, ele cobra também uma política pública, que incluiria, por exemplo, a criação de sinalização indicando o espaço apropriado para bicicletas.


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A resposta dada pela CET ao jornal O Estado de S. Paulo esquenta a polêmica. Segundo a nota enviada, o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) proíbe o tráfego de bicicletas em vias de trânsito rápido e em rodovias, exceto em locais que tenham acostamento. "Independentemente dessa proibição, a CET também mantém a recomendação expressa de que os ciclistas devem utilizar apenas os caminhos e rotas onde a velocidade máxima permitida é de até 40 km/h", afirma.


A companhia diz ainda que a criação das faixas preserva a segurança dos ciclistas. "Com a segregação dos coletivos, os veículos mais vulneráveis na cadeia, ou seja, as bicicletas estão menos sujeitas a disputar espaço com os veículos mais pesados", informa a nota.

Quem pedala vê contradição no discurso, já que sinalização para ciclistas foi pintada na avenida Rebouças, com limite de 60 km/h. E cicloativistas, como Thiago Benicchio, diretor-geral da Ciclocidade (Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo), também não abrem mão de pedalar pelas avenidas da cidade.


— Essas grandes vias estão construídas em cima dos leitos dos rios, que são as áreas mais planas. Não faz sentido tirar o ciclista do lugar mais plano e colocá-lo na montanha.

A utilização de faixas compartilhadas entre ônibus e bicicletas é um modelo adotado em várias cidades europeias. Em Londres, bicicletas e motos podem usar todas as faixas de ônibus. Uma pesquisa revelou que, nas três vias onde houve a primeira experiência, em 2006, acidentes com ciclistas e motos caíram 44%. O compartilhamento também é uma política adotada nas cidades de Paris e Berlim. A Prefeitura de São Paulo promete construir 210 quilômetros de ciclovias, 300 km de rotas para bicicletas e outros 140 km de estruturas cicloviárias até 2016. 

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