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Família de mãe e filho envenenados presta depoimento nesta terça (26), em Goiás

Segundo o advogado da família, Leonardo Filho, ex-namorado da principal suspeita do crime, será o primeiro a depor

São Paulo|Do R7

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Luzia e Leonardo morreram após serem envenenados
Luzia e Leonardo morreram após serem envenenados

Os familiares de Leonardo Pereira Alves, de 58 anos, e Luzia Tereza Alves, de 86, mortos após comer alimentos envenenados, chegaram à Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH) para prestar depoimento.

A principal suspeita de ter cometido o crime é a ex-nora de Leonardo, a advogada Amanda Partata Mortoza, de 31 anos.


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Segundo o advogado da família, Luis Gustavo Nicoli, fora ouvidos nesta manhã Leonardo Filho (ex-namorado de Amanda, filho e neto das vítimas), Maria Paula (filha e neta das vítimas) e Eliane (esposa e nora das vítimas).

Amanda Partata segue em prisão temporária após ter tido o habeas corpus negado pela Justiça.


Entenda o caso

Mãe e filho passaram mal e morreram após terem comido um alimento envenenado em Goiânia, no dia 17 de dezembro. A princípio, pensou-se que um bolo de pote pudesse estar com o veneno. Contudo, há a possibilidade de que um suco ou outro alimento estivesse contaminado.

Luzia Tereza Alves, de 86 anos, e Leonardo Pereira Alves, de 58, vomitaram e tiveram dores abdominais e diarreia três horas depois do consumo da sobremesa, comprada pela ex-namorada do filho de Leonardo.

Amanda, que estava hospedada em um hotel em Goiânia, foi a uma padaria comprar os alimentos que levou para o café da manhã. Ela voltou para o hotel e, depois, foi à casa da família do ex, por volta das 10h do domingo, onde ficou até as 13h.

À mesa estavam Amanda, Leonardo Alves, a mãe dele, Luzia Tereza Alves, e o pai dele, que a polícia identificou como João.

Amanda voltou para Itumbiara, cidade de Goiás onde mora, logo que saiu da casa do antigo namorado e, no caminho, recebeu mensagem do ex-sogro na qual ele a orientava a buscar atendimento médico, porque ele suspeitava de que a comida estivesse estragada.

Perfil 'psicopata'

A primeira suspeita da família foi de intoxicação alimentar. A polícia logo descartou essa possibilidade, porque, segundo o delegado, a intoxicação ocorre de forma diferente em cada pessoa — e Leonardo e Luzia tiveram a mesma evolução.

Além disso, o período entre o consumo do alimento e a morte seria mais longo no caso de uma intoxicação.

Leonardo começou a passar mal por volta das 13h e morreu à noite. Já a mãe dele chegou a ser internada em uma UTI, mas morreu de madrugada. Amanda só foi ao hospital à meia-noite, após saber da morte do ex-sogro.

Os exames para comprovar a presença de veneno nos produtos consumidos no café da manhã e a necrópsia dos corpos continuam em andamento.

Amanda foi presa em uma clínica psiquiátrica em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital, na noite da última quarta-feira (20). Segundo o delegado, ela teria sido internada pela família por volta do meio-dia da quarta, após ter tentado se matar com medicamento e acetona.

O delegado investiga outros supostos crimes praticados por Amanda em Itumbiara e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Agora ela é investigada por duplo homicídio qualificado.

O delegado do caso, Carlos Alfama, avalia o comportamento de Amanda como o de "uma psicopata".

"Há denúncia de estelionato e de que atuou como estagiária de psicologia de uma escola, aliciando crianças de 10 a 16 anos para a prática de condutas sexuais e o consumo de bebidas alcoólicas”, afirmou ele.

"Ela tem personalidade extremamente voltada ao crime. Usava a tecnologia para forjar relacionamento afetivo com as vítimas. Forjou personalidade dócil e era dissimulada. Na minha percepção, a motivação do crime foi o sentimento de rejeição que ela teve. As ameaças começaram quando a relação estava indo por água abaixo”, completou.

O que diz Amanda?

A polícia identificou que a advogada ameaçava o ex havia algum tempo por meio de perfis falsos nas redes sociais. Segundo o delegado, as mensagens de ódio começaram no dia 27 de julho, pouco após o término deles.

Ao ser presa, a advogada afirmou não ter "feito isso" e disse que "amava a família".

Durante a audiência de custódia, Amanda voltou a negar a autoria do crime e disse que a repercussão do caso acabou com a sua vida.

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