Farmacêuticas têm prejuízos de R$ 16 mi em golpes de ONG falsa
Segundo o MP-SP, os suspeitos atuam nas regiões de Bauru e Marília, mas enganaram cinco empresas do setor pelo estado
São Paulo|Do R7

Ao menos cinco farmacêuticas do estado de São Paulo somam prejuízo de R$ 16 milhões após caírem no golpe de uma falsa Ong (Organização Não Governamental) que atua nas regiões de Bauru e Marília, no interior de São Paulo, de acordo com informações do MP-SP (Ministério Público de São Paulo). Quatro representantes da suposta organização foram denunciados, e viraram réus por estelionato e organização criminosa.
A Mais Saúde, criada em 2010, existe justamente para dar credibilidade aos golpes, segundo aponta uma investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), iniciada em janeiro do ano passado.
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Ação
Um integrante do grupo entrava em contato com as companhias e pleiteava descontos na aquisição de medicamentos, sob o falso pretexto de que os remédios seriam doados ou vendidos, exclusivamente, a órgãos públicos.
A partir daí, as indústrias farmacêuticas doavam ou concediam descontos de até aproximadamente 90% sobre o custo de mercado dos produtos. Os medicamentos eram vendidos em grandes redes de farmácias e estabelecimentos menores.
Adulteração
Um vídeo obtido pelo MP-SP mostra como os integrantes do grupo criminoso apagavam as caixas dos remédios para, após recebê-los por baixo custo, comercializá-los de forma irregular.

Segundo o promotor de Justiça André Gandara Orlando, os empresários lesados tomaram conhecimento das fraudes somente após o contato do MP.
"Nunca tinha visto isso. É algo que chama a atenção. Você adquire medicamentos com desconto ou de graça e reinsere no mercado farmacêutico, que é extremamente competitivo", avaliou. Agora, os promotores trabalham para identificar outros criminosos e mais vítimas.
Galpão e site fakes
A investigação é derivada de outra apuração, iniciada em 2018. Na primeira denúncia, o mesmo grupo era investigado por comercializar medicamentos de forma irregular (armazenamento, estrutura, etc.) no estado de SP.
Na época, a falsa Ong mantinha um galpão, em Cariacica (ES), além de um site na internet para dar credibilidade aos golpes. Os acusados enviavam fotos do local e de ônibus, com o logo da empresa de fachada, para enganar as vítimas.
Ao todo, 25 pessoas tiveram seus bens bloqueados e foram denunciadas por crimes contra a ordem tributária e sonegação do pagamento de ICMS.














