Fiado, wi-fi compartilhado, e relação com vizinhos fazem de favela um bom lugar
Levantamento do Data Favela será lançado nesta quinta (7)
São Paulo|Do R7

Apesar de esperarem uma vida melhor, a maior parte dos moradores de favela não quer deixar o local onde mora, aponta levantamento do Data Favela, parceria entre o Data Popular e a Cufa (Central Única das Favelas).
Segundo a pesquisa, 66% não têm vontade de sair da favela. O estudo "Radiografia das Favelas Brasileiras" foi realizado em setembro de 2013, com 2.000 pessoas. E transformados no livro "Um País Chamado Favela" (Editora Gente).
A publicação será lançada nesta quinta-feira (7) em São Paulo.
Para Renato Meirelles, presidente do Data Popular e um dos autores do livro, parte da explicação para o amor que os moradores de favela sentem pelo local onde vivem está no fato de que, na comunidade, há um tipo único de economia e de relação entre vizinhos.
— A favela tem todo um ecossistema econômico próprio. Um cuida do filho do outro, vizinhos rateiam ponto de wi-fi. Quando a gente vai fazer isso em um condomínio de luxo? Compra-se fiado no bar...
Meirelles afirma ainda que há uma relação emotiva com a vizinhança.
— A nossa pesquisa aponta que 90% dos moradores de favela receberam um amigo em casa no último mês. Na classe A, essa taxa cai para 30%.
Dois terços dos moradores não se mudariam nem se a renda dobrasse. O presidente do Data Popular acredita também que a vontade de ficar na comunidade não é incompatível com a aspiração por uma vida melhor.
— As condições de quem vive em favelas melhoraram. E o exemplo, para os moradores, deixou de a pessoa bem-sucedida que mora no asfalto e passou a ser o vizinho que, após batalhar muito, conseguiu o que queria.
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Segundo a pesquisa, 76% disseram que a vida melhorou. Desse total, 14% atribuíram essa evolução à família, 40% a Deus e 42% ao próprio esforço.
— Poucos atribuem ao governo — diz o presidente do Data Popular.
Para Meirelles, a pesquisa mostra que a urbanização de favelas é uma política melhor do que a remoção.
— Todos os casos de remoção foram mal-sucedidos.
Meirelles cita um antigo funk para exemplificar o desejo dos moradores:
— Eu só quero é ser feliz e andar tranquilamente na favela onde eu nasci.



