GCM dispersa manifestação com bombas em São Bernardo do Campo
Jovens de coletivos de cultura protestavam contra uma possível privatização de parques da cidade
São Paulo|Karla Dunder, do R7
A Guarda Civil Metropolitana de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo) usou bombas de gás para dispersar um grupo de manifestantes na noite de quinta-feira (8). Jovens de coletivos como o Batalha Matrix protestavam contra possíveis privatizações que seriam realizadas pela prefeitura. A Batalha da Matrix é um evento que reúne jovens todas as terças-feiras na praça da Matriz, em São Bernardo, para batalha de rap.

Segundo Lucas Fonseca do Vale, um dos organizadores do coletivo, tanto a Prefeitura de São Bernardo como a Guarda Civil Municipal estavam cientes da manifestação.
"Seguimos os procedimentos e a GCM acompanhou a manifestação por todo o percurso — da praça até a chegada na casa do secretário de Cultura, Adalberto José Guazzelli. Fomos avisados que deveríamos desobstruir a rua. Quando já estávamos de saída, eles começaram a jogar as bombas, pelas nossas costas."
De acordo com Vale, a manifestação foi marcada para protestar contra a possível privatização de parques da cidade. "Há 5 anos comemoramos o aniversário da Batalha da Matrix no parque Radical. Enviamos um ofício reservando a data e o espaço. Levaríamos toda a estrutura técnica. A solicitação foi negada", diz.
Ainda, de acordo com Vale, a prefeitura teria a intenção de privatizar o local e ainda cobrar pelo evento. "Isso fere a lei municipal e o caso será levado ao Ministério Público."
Procurada pela reportagem do R7, a Prefeitura de São Bernardo do Campo enviou a seguinte nota:
"A Prefeitura de São Bernardo do Campo, por meio da Secretaria de Cultura, informa que em nenhum momento foi veiculado que os espaços da cultura seriam privatizados. A prefeitura está em tratativas para regularizar a situação da Batalha da Matrix.
Na noite da última quinta-feira (8), por volta das 19h, manifestantes bloquearam o trânsito na rua Bela Vista. A Guarda Civil Municipal (GCM) tentou dialogar com os manifestantes para que liberassem a via de forma pacifica e ordeira, sem êxito. Desta forma, foi necessária a intervenção da GCM.
Reforça-se que a manifestação é um direito das pessoas, porém, em local adequado que não interfira nos direitos de terceiros e com o conhecimento prévio do poder público, principalmente, o departamento de trânsito e órgãos de segurança.
A conduta da GCM obedece protocolos da instituição que estão plenamente de acordo com as normas nacionais e internacionais de proteção aos direitos humanos e aos princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade, moderação e conveniência."















