Greve nas prisões deixa delegacias superlotadas em SP
Paralisação começou há 9 dias e afeta 58 dos 158 presídios, segundo a secretaria de segurança
São Paulo|Do R7

Distritos policiais da capital estão com carceragens superlotadas por causa da greve dos agentes penitenciários do Estado de São Paulo. No 2.º Distrito Policial, no Bom Retiro, havia na segunda-feira (17) 140 presos à espera de transferência para um CDP (Centro de Detenção Provisória) — a capacidade é para 25 detidos.
No 72.º DP (Vila Penteado), havia cem presos na carceragem. O 31.º DP (Vila Carrão) e 49.º DP (São Mateus) também apresentavam números além da capacidade: 65 e 60, respectivamente. A Polícia Civil não divulgou a capacidade. Esses distritos integram as chamadas Delegacias de Trânsito — são oito na cidade de São Paulo, onde presos ficam abrigados até o encaminhamento aos CDPs.
Em Sorocaba, a situação não era diferente. Mais de 30 detentos enviados na segunda-feira para o CDP do bairro Aparecidinha tiveram a entrada barrada por agentes penitenciários em greve e voltaram para a cadeia pública em que estavam em São Roque. Com quatro celas e funcionando em caráter provisório, o local tinha ontem à tarde 60 detentos. Os grevistas bloquearam a entrada da unidade e impediram a passagem dos veículos com os presos. O diretor do CDP, Márcio Coutinho, pediu apoio à Polícia Militar. O risco de fuga dos presos levou a PM a deslocar a Tropa de Choque para o local.
Coutinho argumentou com os grevistas que uma liminar dada pela Justiça proibia atos como o bloqueio à entrada dos presos, mas os agentes alegaram não terem sido notificados da decisão. O impasse durou cerca de seis horas. Nesse período, alguns presos passaram mal por causa do calor e foram retirados do veículo. A SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) optou por enviar os detentos de volta a São Roque. Outro CDP da região, em Capela do Alto, também sofreu bloqueio de agentes e 14 presos não puderam ser recebidos.
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Greve
Os agentes penitenciários em greve farão nesta terça-feira (18) às 10h uma manifestação na frente do Palácio dos Bandeirantes "contra a intransigência do governo do Estado em não reabrir negociações para discutir as reivindicações da categoria".
A greve, que entra no 9.º dia, paralisou 90% dos presídios, segundo o Sindasp (Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária de São Paulo). Já o Sifuspesp (Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional), 73% (117) das unidades estão paradas. De acordo com a SAP, são 58 das 158 unidades paralisadas.















