Há quatro anos, moradores abriram comportas de usinas
Cidade estava debaixo dágua e famílias desabrigadas culpavam represamento por alagamentos
São Paulo|Do R7
Em momento de fúria, cerca de 30 moradores do Parque das Nações, em Atibaia, invadiram no dia 29 de janeiro de 2010 a hidrelétrica do centro empresarial da cidade e abriram 40 centímetros de uma das duas comportas da barragem, construída no rio Atibaia. A cidade estava debaixo dágua e famílias desabrigadas culpavam o represamento na usina como um dos vilões dos alagamentos.
Passados quatro anos, a mesma usina tem cenário completamente diferente. No lugar das águas que entravam nas comportas hoje só existe mato. Por onde caía uma queda dágua com cinco metros de altura é possível ver apenas um paredão de pedras. A usina também não produz mais energia — as bobinas ficam em uma sala empoeirada e sem nenhum operador.
Dentro da usina, duas casas ainda são ocupadas por antigos funcionários, como Robson Carvalho, de 51 anos, que hoje faz bico de jardineiro.
— Aqui não tem mais água nem pra nossa luz.
Na época da invasão, ele lembra que moradores usaram cordas para puxar a madeira das comportas da barragem.
— Parecia uma guerra, eles estavam loucos, não tinha polícia que pudesse pará-los.
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O jornal O Estado de S.Paulo acompanhou a invasão dos moradores à usina. Homens e mulheres se organizaram em caminhonetes com tração 4X4 importadas e jipes para chegar à usina.
Seis homens com cordas ajudaram a puxar a madeira da comporta e liberaram uma vazão de cinco metros por segundo do rio Atibaia, cuja água era represada para produzir energia.
Para os invasores, como o pescador Moisés Araújo, de 61 anos, era o transbordamento da represa da usina que causava os alagamentos no Parque das Nações.
— E era a usina mesmo, porque depois que abriram as comportas a água do rio baixou.
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