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"Isso é ridículo", diz vítima sobre abusador sair pela porta da frente da delegacia

Funcionário do Metrô mostrou pênis para passageira dentro de vagão na estação Jabaquara

São Paulo|Caroline Apple, do R7

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"É nojento, constrangedor", diz A.B.Z após o abuso no Metrô
"É nojento, constrangedor", diz A.B.Z após o abuso no Metrô

Por causa do estigma de "culpada" que muitas vítimas de abuso carregam, o primeiro pedido da técnica em eventos A.B.Z, de 23 anos, foi não ser identificada na entrevista.

— Estou procurando emprego e tenho medo que isso me atrapalhe.


A. em nada teve culpa quando foi abusada dentro de um vagão do metrô, na estação Jabaquara, Linha-1 Azul, na última sexta-feira (29).

O suspeito era nada menos do que um funcionário do Metrô, que aproveitou um vagão vazio para acariciar o pênis e mostrá-lo para a jovem. E não era a primeira vez que ele se aventurava em abusar de mulheres por aí, era a terceira vez que ele era detido por abuso sexual. O homem foi demitido.


Com a denúncia de A., o suspeito assinou mais um Termo Circunstanciado para sua coleção, que é feito em casos considerados de menor potencial ofensivo. A lei acha que abusar uma mulher não é grave o suficiente para uma pena pesada. Quem sabe pagamento de cestas básicas e, pronto, o mundo mudou.

O abusador pode ter experiência no que fez, mas a técnica em eventos sofreu a vergonha de ser abusada pela primeira vez.


— Cansei de ler e assistir matérias sobre esses casos, mas nunca imaginei que aconteceria comigo. É nojento, constrangedor. Da vergonha de contar para as pessoas. Só meus parentes e amigos próximos sabem.

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Mesmo com todo o turbilhão de emoções que sentiu, A. teve a coragem de denunciar o caso a um agente de segurança do Metrô, que a atendeu.

Toda a marra, malandragem e coragem do abusador desapareceu no caminho até a delegacia e durante o depoimento. Seu olhar já não fitava A. com toda a malícia, como durante o ato obsceno. Na verdade, havia chegado a fatídica hora do que a gíria chama de "meter o louco".

— Quando o abordamos na plataforma ele se mostrou indignado até eu descrever como era a cueca dele. Depois, ele ficou perguntando aos funcionários do Metrô como eu estava, como se estivesse preocupado, e se fazendo de amigo, com certeza, por ser funcionário do Metrô. Na delegacia, eu ouvia ele dizendo que tudo era uma grande palhaçada, mesmo sendo a terceira vez que ele dava as caras na polícia pelo mesmo motivo.

O suspeito foi embora pela porta da frente da delegacia e o sentimento de A. é de indignação. Mas ainda ela ainda tem esperança.

— Não ser um crime grave é ridículo. Mas as mulheres não devem deixar de reagir por causa disso. Não podemos ficar quietas. Uma hora isso tem que mudar.

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