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Jovem agredido por garçom acusa restaurante de racismo

Estudante critica ainda a postura de PMs em abordagem

São Paulo|Peu Araújo, do R7

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“Ele ter arrancado as minhas tranças foi algo que me doeu muito", afirma I.A.C
“Ele ter arrancado as minhas tranças foi algo que me doeu muito", afirma I.A.C

O estudante secundarista I.U.C, de 17 anos, agredido nesta segunda-feira (23) por um funcionário do restaurante Esquina Grill do Fuad, na Vila Buarque, zona oeste de São Paulo, acusa o funcionário e o estabelecimento de racismo.

“Eu não tenho dúvida de que foi racismo, você aprende a conhecer um olhar de ódio”, afirma. “Ele ter arrancado as minhas tranças foi algo que me doeu muito. Pude ver neste ato o ódio”, completa.


O jovem fala ainda sobre a briga, que começou quando ele estava perto ao parklet — um espaço público de convivência de responsabilidade do restaurante — com outros alunos da Escola Estadual Fidelino de Figueiredo.

"Antes de ele me agredir, ele me ameaçou e depois veio para cima de mim me dando um empurrão”, relata.


O secundarista alega que o restaurante costuma fechar o parklet no horário de saída dos estudantes da escola há pelo menos oito meses."Não é a primeira vez que o garçom é agressivo comigo e com outros garotos negros”, diz.

Especial R7: Negro Drama, o panorama do racismo no Brasil


I.U.C relata ainda a postura dos policiais militares da Rocam (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas), que atenderam à ocorrência.

“Os policiais chegaram e vieram na minha direção de uma forma agressiva. Me mandaram largar a mochila, tirar a blusa, tudo isso de forma grosseira. Eles só me ouviram quando uma amiga minha, que é branca, falou. Então, eles pararam de ser agressivos comigo”, detalha. "A minha versão não foi suficiente para os caras acreditarem”.


Segundo o estudante, os PMs não falaram com o garçom e novamente foram agressivos. “Quando eles me liberaram, eu vi o garçom que me agrediu sem o uniforme. Eu falei para os policiais que ele estava indo embora sem os policiais nem terem falado com ele. Um deles [dos policiais] me mandou calar a boca que eu tava querendo ibope”, explica.

O R7 entrou em contato com o restaurante Esquina Grill do Fuad, que negou a acusação de racismo e não se pronunciou.

Em nota, a SSP (Secretaria Estadual da Segurança Pública) afirma que a Polícia Militar compareceu ao local na tarde de segunda-feira (23) e foi informada por funcionários do estabelecimento que jovens estavam promovendo baderna. A pasta acrescenta ainda que "durante a ação, os PMs não verificaram ninguém ferido e nenhum sinal de briga ou tumulto". E completa que a Corregedoria está à disposição para registrar denúncias.

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